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Por uma agricultura sustentável

John Landers, doutor Honoris Causa da UFG, fala sobre plantio direto, técnica que ajudou a consolidar

Texto: Silvânia Lima | Foto: Carlos Siqueira

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Uma vida profissional dedicada à pesquisa de técnicas mais naturais para o campo levou  John  Nicholas Landers a atestar os benefícios do plantio direto, prática sustentável difundida em todo o mundo. Há 50 anos, o pesquisador escolheu o Brasil para residir, e em 40 deles dedicou-se a estudos em regiões do Cerrado, boa parte em municípios goianos, como Inhumas, Santa Helena e Rio Verde, e em parceria com a Escola de Agronomia da UFG. Assim, deu grande contribuição para o desenvolvimento, difusão e reconhecimento da técnica do Sistema de Plantio Direto na Palha, que foi adotada como base conceitual da Agricultura Conservacionista pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Autorias científicas e práticas extensionistas lhe renderam, ainda, muitos prêmios, como a Order of the British Empire (OBE), em 2006, no Reino Unido, seu país de origem, pela rainha Elizabeth II. Em março, a UFG reconheceu os feitos de John Landers concedendo-lhe o seu 16º título de Doutor Honoris Causa. Em entrevista ao Jornal UFG, ele falou sobre a técnica que ajudou a consolidar.

Como define o plantio direto?

Basicamente é “jogar o arado pela janela”, é plantar sem eliminar os restos da cultura anterior, apenas as ervas daninhas, para não competir com a nova cultura. Você insere o adubo e a semente por baixo dos restos da planta anterior, propiciando a atividade biológica do solo que responde muito bem às diversas culturas. Eu diria até que é o solo trabalhando para o agricultor. Não é uma técnica fácil. No começo, o agricultor tem que persistir, mas quando pegar o ritmo se tornará algo muito gratificante e rendoso.

Quais são os benefícios que tornam essa prática sustentável?

Como mantém a vida biológica do solo, o plantio direto possibilita a criação de uma espécie de manta protetora, eliminando o problema da erosão, algo muito preocupante no Cerrado. Nós estávamos perdendo dez toneladas de solo, com erosões e assoreamentos dos cursos d’água, por cada grama produzido nos plantios. Hoje isso mudou e, sobretudo, o plantio direto promove o sequestro de carbono, reduzindo na  atmosfera  a quantidade de dióxido de carbono, causador do efeito estufa.

 

Como mantém a vida biológica do solo, o plantio direto possibilita a criação de uma espécie de manta protetora, eliminando o problema da erosão, algo muito preocupante no Cerrado

 

E para o agricultor, quais são as vantagens?

A técnica permite ao agricultor plantar mais cedo e gastar menos, propicia a liberação de nutrientes, a infiltração da chuva, reduz a necessidade de água na irrigação, ajuda  a incrementar  a produtividade.  Outra importante vantagem é que se aplica a qualquer cultura. O pequeno agricultor pode usar uma matraca reforçada para o plantio direto, os médios e grandes as plantadeiras mecânicas.

Quando a técnica começou a ser difundida e como está hoje no  Brasil?

A partir de 1972, no Paraná. Quatro anos depois, apliquei a técnica em São Paulo, e em 1982, em Goiás, com a soja. De lá para cá, não parei mais, foram mui- tos experimentos e pesquisas com a colaboração de muitos produtores. O Brasil é líder mundial em agricultura sustentável nos trópicos, através do plantio direto. Atualmente, estamos com 105 milhões de hectares de plantio direto em todo o país. Destacam-se as culturas da soja, em que é utilizado em mais de 95% das plantações, e do algodão. A cana-de-açúcar está começando, mas há uma gama de culturas em que o plantio direto tem sido adotado.

 

É o coroamento do trabalho de uma vida, lutando para melhorar o plantio direto, fazendo testes em campo, com centenas e centenas de agricultores, observando e anotando, fazendo um pool de informações

 

Qual é a sua avaliação sobre o papel do produtor na sustentabilidade do campo? Como a pesquisa e a tecnologia têm con- tribuído nesse aspecto?

O produtor é o guardião dos nossos negócios naturais, é ele que está lá no chão, que trabalha no chão   e faz o melhor possível para compatibilizar sua atividade com a natureza. Hoje a maioria respeita o código florestal e isso já faz parte da sua cultura. Como os agricultores estão sensíveis à questão ambiental, estão utilizando cada vez menos os defensivos agrícolas, por exemplo. Temos avançado também com novos produtos no mercado, menos agressivos ao meio ambiente, além do controle biológico de pragas que é totalmente compatível com o plantio direto. As boas tecnologias estão crescendo no país e é importante participar dos eventos para se inteirar delas, como a Agrobrasília, em Brasília, realizada em maio e a Agro Centro Oeste Familiar, em Goiânia, em junho.

O que significou para o senhor o título de Doutor Honoris Causa da UFG?

É o coroamento do trabalho de uma vida, lutando para melhorar o plantio direto, fazendo testes em campo, com centenas e centenas de agricultores, observando e anotando, fazendo um pool de informações. É isso que leva a tecnologia para frente. Para mim tem sido muito importante a parceria com Escola de Agronomia da UFG, em especial com o professor Rogério Almeida, com quem iniciei longo trabalho muito bem sucedido, há cerca de 20 anos, com pequenos produtores de alho, em Inhumas.

Confira o programa completo da Rádio Universitária

Categorias : Entrevista edição 88 plantio direto

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