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Retranca seis meses de gestão

Revogação da EC 95 é alternativa para melhorar situação financeira

Reitor e vice-reitora falam dos desafios de gerir uma instituição dinâmica como a UFG frente às limitações impostas pelo regime fiscal

Versanna Carvalho

Os gestores da Universidade Federal de Goiás (UFG) avaliam os primeiros seis meses da nova gestão e falam sobre o desafio de manter a instituição em pleno funcionamento ao longo do segundo semestre letivo, mesmo com reduções das verbas para o custeio de despesas e dos recursos destinados a obras e aquisição de equipamentos. Apesar das adversidades, muitas mudanças e inovações já estão em curso e o reitor Edward Madureira Brasil e a vice-reitora Sandramara Matias Chaves querem sensibilizar as comunidades interna e externa para a defesa da universidade pública e de todo o potencial de desenvolvimento que ela representa para o estado de Goiás. Confira na entrevista.

Edward e Sandramara

Sandramara Matias e Edward Madureira: vice-reitora e reitor da Universidade Federal de Goiás (Carlos Siqueira)

 

Que avaliação vocês fazem dos primeiros seis meses da gestão, sobretudo diante do cenário de escassez decorrente da atual política de desmonte da educação, que leva a situações como a utilização de 70% do orçamento da Universidade até o início do segundo semestre letivo?

Edward Madureira ⎼ Sem dúvida, o momento das universidades brasileiras com relação à questão orçamentária é crítico. O orçamento, em que pese não tenha sofrido grandes reduções, tem sido liberado lentamente e não tem sido devidamente corrigido nos últimos anos, enquanto os custos da Universidade são crescentes por razões como reajustes de contratos e o aumento do número de pessoas que chegam à Universidade dependendo de assistência estudantil. A Universidade não para de crescer fisicamente e isso demanda aumento na utilização de energia, limpeza e segurança. Convivemos com muita dificuldade e a luta é diuturna, não só do ponto de vista de buscar racionalizar os gastos, mas também de sensibilizar o nosso mantenedor, que é o Ministério da Educação, de que o orçamento das universidades é inadequado. Até agora eu estava falando mais de custeio. Com os recursos de capital, a situação é muito mais grave. Tivemos uma redução vertiginosa [da ordem de 62,5% entre 2017 e 2018]. Muitos projetos que tínhamos para aprimorar a infraestrutura da Universidade foram absolutamente impedidos de ser realizados. Alguns foram, de certa forma, muito prejudicados, como é o caso do recurso de capital da assistência estudantil que, de um ano para outro, desapareceu do nosso orçamento, e isso significa quase R$6 milhões a menos no recurso de capital para a assistência estudantil, com prejuízos claros para os equipamentos de assistência estudantil. Recursos para novas estruturas necessárias em função do avanço da Universidade. Temos trabalhado muito junto ao Congresso Nacional e ao Ministério da Educação, mas a única alternativa que eu vejo para nos dar horizonte de uma situação melhor é a revogação da Emenda Constitucional 95, ou, na pior das hipóteses, a excepcionalização da educação, ciência e tecnologia. A redução de orçamento rebate também na ciência e tecnologia. O orçamento MCTIC [Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações] e, consequentemente, o orçamento da Finep [Financiadora de Inovação e Pesquisa], do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] também são restritivos.

Sandramara Matias ⎼ Apesar dessas dificuldades que a UFG e todo o sistema de universidades federais enfrenta com relação ao orçamento, nós temos um contingente de pessoas na Universidade com potencial muito grande ⎼ que continua produzindo, pesquisando, desenvolvendo ações no ensino, na pesquisa, na extensão, na pós-graduação ⎼ que demonstra o potencial que a UFG tem. É uma Universidade que não para. Continuamos trabalhando, produzindo e captando projetos e desenvolvendo ações em todas as áreas.

 

Sandramara

Sandramara Matias, vice-reitora da UFG: temos na Universidade um contingente de pessoas com potencial muito grande

 

O que a comunidade universitária deve esperar do segundo semestre letivo de 2018, quais são os grandes projetos da gestão?

Sandramara ⎼ Mesmo que nós tenhamos 100% dos recursos previstos para 2018, talvez não tenhamos como cobrir todas as nossas despesas. O orçamento vai ser suficiente no máximo para caminharmos até setembro, para cumprirmos as nossas obrigações com as despesas básicas como energia, telefone, água, terceirizados e empresas que atuam na UFG, porque o nosso orçamento não vai ser suficiente para chegarmos até o final do ano. Temos dito isso porque é importante que a comunidade universitária e a sociedade de uma forma geral saibam dessa condição, até para que tenhamos cada vez mais pessoas defendendo esta Universidade, este patrimônio do povo goiano, sabendo das condições gerais que nos estão sendo impostas por essa restrição orçamentária. Ainda assim, temos projetos a ser desenvolvidos para o segundo semestre de 2018. Entre essas ações, estamos com proposta de uma grande mudança na graduação, envolvendo os projetos pedagógicos de curso e as metodologias de ensino. Vamos rever todos os projetos pedagógicos, trabalhar a articulação das disciplinas dos diferentes cursos, propiciar a implementação de metodologias mais participativas, que possam promover maior envolvimento de alunos e professores no processo de ensino-aprendizagem.

Edward ⎼ Neste segundo semestre entraremos com as resoluções relativas aos servidores. Tanto a questão da regularização das 30 horas quanto a questão do edital de remoção. Isso deve vir rapidamente. Com relação à segurança, já estamos adiantando os estudos para poder fazer um controle inteligente do acesso ao Câmpus para proporcionar mais segurança na universidade, desde que não atrapalhe a vida das pessoas. Essa medida está em estudo, pois exige recursos, alguns investimentos e também alguns outros atores que não a Universidade, por implicar em alguma mudança de acesso, de trânsito e outras medidas. Estamos perseguindo essa meta. Na Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação são várias as ações em que iremos trabalhar mais o protagonismo estudantil, junto com a Prae [Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis], por meio de uma série de eventos na área de empreendedorismo, de competições entre os estudantes. São muitas ações já planejadas em todas as áreas. De maneira geral, uma ação que estamos valorizando bastante é a conscientização de toda a comunidade universitária de que nesse momento precisamos muito entender todo o contexto no qual a Universidade está colocada. Precisamos somar esforços para defender a Universidade. Estamos trabalhando muito na mediação de conflitos internos, a fim de trazer a Universidade cada vez mais para um ambiente de harmonia. Estamos tentando humanizar mais essas relações e solucionar os conflitos naquilo que for possível solucionar por mediação, para que não seja necessário processualizar todas as ações. Isso é fundamental para criar um ambiente mais harmonioso. Queremos despertar nas pessoas o sentimento de pertencimento a esta Universidade e fortalecer a relação com a sociedade. A UFG é essencial para a sociedade e a sociedade tem que assumir isso no seu discurso também.

Edward

Edward Madureira, reitor da UFG: queremos despertar nas pessoas o sentimento de pertencimento à Universidade

Edward, o senhor foi eleito para nova gestão na Andifes [Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior], como 2º vice-presidente. Quais as grandes bandeiras da Andifes no biênio 2018-2019? Quais delas estão em maior consonância com a UFG?

Edward ⎼ Acabamos de assumir em um momento crítico, quando as universidades estão sob forte questionamento, e o que pauta a nossa gestão na Andifes tem muito a ver com o nosso dia a dia na UFG. A consonância é absoluta: a defesa intransigente da autonomia, defesa de um financiamento que nos permita cumprir com o nosso papel, que é o de um grande agente de desenvolvimento da sociedade. Trabalhamos na Andifes sempre com essa preocupação de ter um diálogo com todos os interlocutores. Agora mesmo estamos convidando, já tivemos a presença de alguns, os presidenciáveis para debates. Temos um documento voltado para a educação, intitulado Educação para a democracia e o desenvolvimento, que está sendo entregue a eles. Lá estão algumas das nossas questões como a autonomia universitária e o Plano Nacional de Educação, que precisa ser cumprido. Temos uma tarefa enorme até 2024. Já sabemos que não vai ser possível cumprir o PNE até o fim, mas precisamos avançar nesta legislação. O enfrentamento que estamos tendo com alguns setores da sociedade com relação à legitimidade da universidade em algumas ações, como é o caso agora em Santa Catarina, mas já houve em Minas Gerais, no Paraná, no Rio Grande do Sul e na UnB [Universidade de Brasília]. A busca do entendimento de que a gente tem uma rede de universidades que faz, mas pode fazer muito mais pela sociedade brasileira. São 63, daqui a pouco serão 68 universidades [federais] que, agindo de forma mais sistemática, podem realmente contribuir muito para a transformação do País, porque detêm uma credibilidade e uma competência que não tem em outro lugar. A agenda Andifes é muito próxima da agenda da UFG. Só ganha um aspecto mais global.

 

UFG continua desenvolvendo ações em todas as áreas

A equipe do Jornal UFG entrevistou os titulares das sete Pró-Reitorias e seis Secretarias da administração superior da Universidade para saber o que vem sendo planejado e executado ao longo do primeiro ano da nova gestão. Veja a seguir as principais realizações durante o primeiro semestre de 2018 e os projetos de destaque para o segundo semestre.

Tabela Prograd

Tabela PRPG

Tabela PRPI

Tabela Proec

Tabela Proad

Tabela Pró-Pessoas

Tabela Prae

Tabela Sepa

Tabela SPE 2

Tabela Secom 2

Tabela SeTI 2

Tabela SDH 2

Tabela Seinfra 2Rodapé

 

Fonte : Secom/UFG

Categorias : universidade Edição 97

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