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Meio ambiente contaminação da água

Água para consumo não está livre de contaminação

Situação se agrava com legislação permissiva e lobby da bancada ruralista no Congresso Nacional

Letícia Rocha

Apesar de ser um recurso essencial para a vida humana, a água que chega às casas dos brasileiros pode ser prejudicial à saúde em razão das inúmeras contaminações. A portaria nº 2.914/2011, do Ministério da Saúde, estabelece um padrão de potabilidade da água para consumo humano, determinando níveis aceitáveis de resíduos como metais pesados, solventes e agrotóxicos. Mas, segundo o Sistema de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), apenas 25% dos estados brasileiros realizam essa métrica e a maioria registra números muito acima dos estabelecidos.

A engenheira ambiental Karla Alcione, professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), explica que, nas estações de tratamento, a água passa por uma etapa de desinfecção e de fluoretação que remove apenas os micro-organismos. "O tratamento não visa a remoção de hormônio, de pesticida e de metais pesados. Então, a nossa água de abastecimento público é segura do ponto de vista microbiológico, mas não do ponto de vista químico", alerta.

Com relação aos agrotóxicos, o cenário brasileiro é ainda mais preocupante, já que o país é, atualmente, o maior consumidor dessas substâncias no mundo - são cerca de sete litros consumidos por pessoa em um ano. Após serem aplicados nas lavouras, os agrotóxicos podem atingir os mananciais e chegar às estações de tratamento.

A pesquisadora da UFG, Josiane Cardoso, adverte que alguns desses compostos apresentam alta solubilidade na água, o que não permite uma descontaminação completa. "Esse fato é preocupante, visto que a maioria dos agrotóxicos é altamente tóxica, mesmo que em baixas concentrações".

Bancada ruralista
Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a água contaminada pode causar problemas neurológicos, de infertilidade, má-formação fetal, doença de Parkinson e diversos tipos de câncer. O agrotóxico, especificamente, não traz prejuízo apenas aos recursos hídricos, mas também à criação animal e à fauna silvestre.

Além de uma legislação considerada permissiva com relação à tolerância de contaminação da água, propostas em tramitação no Congresso Nacional podem agravar o problema. O projeto de lei n° 6.299/02, também conhecido como PL do Veneno, pretende atualizar a Lei dos Agrotóxicos. Uma das mudanças previstas é mudar o termo agrotóxico para defensivo fitossanitário.

O engenheiro agrônomo Wilson Mozena Leandro considera que é necessário continuar denominando tais substâncias de agrotóxicos para fazer referência aos perigos envolvidos. Para o professor da UFG, os representantes da bancada ruralista buscam os interesses das grandes empresas do setor, o que pode acarretar "efeitos nefastos na agricultura brasileira, na saúde da população e no meio ambiente".

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Fonte : Secom/UFG

Categorias : Meio ambiente Edição 96

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