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Ecologia digital e evolução qualitativa

Magno Medeiros, secretário de Comunicação da UFG, fala sobre o processo de reformulação do Jornal UFG

Magno Medeiros

Diante de profundas transformações no ambiente digital, o Jornal UFG repensa a si mesmo como produto de comunicação institucional da Universidade. Esse pensar – exercício crítico e criativo – aponta para a necessidade de reformulações, que compreendem o formato gráfico, o conteúdo jornalístico, os públicos-alvo, as funcionalidades e os serviços advindos de avançados recursos tecnológicos. Sendo assim, decidimos suspender temporariamente a versão impressa para que consigamos realizar as reformulações necessárias, adaptando o jornal à plataforma digital em construção.

É importante esclarecer que não se trata de extinguir definitivamente as edições impressas do Jornal UFG. Trata-se, sim, de suspender provisoriamente a versão em papel para, após reformulação e adaptação tecnológica, viabilizar a convivência do impresso com o digital. Isso significa uma conciliação entre duas versões do mesmo produto. Assim, você poderá ler o jornal em diferentes telas, do desktop aos diferentes dispositivos mobile (computadores, tablets, celulares etc.). Ou na versão impressa, folheando e degustando as páginas em papel. Há vantagens e desvantagens em cada uma das versões.

A versão impressa tem a vantagem de facilitar a leitura, uma vez que o formato impresso possui maior legibilidade e se apresenta como visualmente mais acolhedor aos olhos, sobretudo dos leitores mais tradicionais. E, ao acionar os sentidos do leitor – visão, olfato, tato – transparece bastante sedutor, estabelecendo laços afetivos com o produto o qual se relaciona. Mas há desvantagens: 1) o uso do papel, cuja matéria-prima depende da extração de madeira, acaba impactando na ecologia ambiental com sérias consequências na sustentabilidade do planeta; 2) o custo financeiro de se produzir o impresso e de fazê-lo circular fisicamente (impressão, papel, sacos plásticos, correios, transporte, combustíveis); 3) os processos da rotina produtiva (newsmaking), que frequentemente são realizados artesanalmente em nosso ambiente de trabalho, sobretudo no que diz respeito ao acondicionamento e à logística de distribuição de milhares de exemplares).

Por outro lado, a versão digital tem as vantagens próprias das tecnologias cibernéticas: velocidade na transmissão e compartilhamento de dados, informações e imagens; redução de custos de produção, distribuição e circulação; sustentabilidade, uma vez que não usa papel e nem plástico; versatilidade em diversos dispositivos desktop e mobile; amplitude do alcance; maior afinidade com os públicos jovens; navegabilidade por meio de hiperlinks; uso de funcionalidades diversas do mundo digital, a exemplo de padrões de acessibilidade e de usabilidade; interatividade, o que permite melhor comunicação com os diferentes públicos; monitoramento e avaliação, por meio de métricas digitais. O Jornal da USP, por exemplo, extinguiu a versão impressa e aprimorou a versão digital. Contudo, há pelo menos duas grandes desvantagens: o formato digital perde em afetividade e acaba não alcançando os públicos resistentes às novas tecnologias ou que ainda não possuem acesso à internet.

Nesse cenário de prós e contras, optamos pelo caminho da prudência e da convergência. A palavra de ordem, portanto, é criar formatos complementares, permitindo a subsistência de tradição e inovação. Assim, o Jornal UFG migrará para uma plataforma digital mais robusta, mais interativa e com modernos recursos de navegabilidade, usabilidade e funcionalidades, dentro de um layout e um design inovadores. Contudo, manterá a versão impressa para edições especiais e com periodicidade a ser definida. Essa postura garante a produção de conteúdo jornalístico em fluxo contínuo, por meio da plataforma digital, e em fluxo regulares, por meio da versão impressa. Com efeito, viabilizamos uma harmonização entre tecnologias tradicionais e virtuais. Em outros termos, inserimo-nos em nova ecologia digital garantindo uma evolução pautada pela qualidade dos serviços prestados. Afinal, a meta é acompanhar a nova ambiência comunicacional, mantendo-se a qualidade jornalística.

* Magno Medeiros é secretário de Comunicação da UFG e professor da Faculdade de Informação e Comunicação

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Fonte : Secom/UFG

Categorias : editorial Edição 95

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