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Deriva do Bem 2

São muitas as Campinas

Bairro mais antigo de Goiânia recebeu olhares diversos na última edição da Deriva do Bem

Texto: Patrícia da Veiga  

Fotos: Leonardo Fleury, Lá do Alto, Hugo Braga, Cristina Dourado e Patrícia da Veiga

Deriva do Bem 1

Deriva do Bem 2

Arraial, vila, cidade, bairro, 207 anos de história, inúmeras trajetórias: se reparar bem, Campininha das Flores são muitas. Há marcas nas paredes, nas pessoas, na rua que mudou de nome, no cinema convertido em consultório odontológico, no estádio de futebol que conseguiu resistir. As recordações rendem “causos” que se pode ouvir por tempo indeterminado. O cheiro do café torrado exala pelo quarteirão, muita gente vem atrás querendo provar o grão. Na porta de uma barbearia, um senhor recita versos que criou. Na loja de livros usados, a “dona” também escreve poesias. Em frente ao ginásio de esportes, a juventude anda de skate, moradores de rua tentam dormir, formigas traçam sua própria trilha pelos canteiros do jardim. Os galhos das árvores cantam ao som do vento. Há uma Campinas em que os anúncios do comércio reverberam por entre manequins, eletrodomésticos, sacolas e perfumaria. Outra que foi feita para as noivas. E mais uma que substituiu o baixo meretrício pelas lojas de móveis usados. Há ainda aquela das casas antigas, cujos portais estão carcomidos por cupins e que vagarosamente vão sendo convertidas em conjuntos de quitinetes. Nas praças, o tempo é suspenso. Nas avenidas, tudo é movimento. Entre o vaivém dos corpos, o encontro acontece e as ruas se tornam portais para novas descobertas.

Se em um só lugar é possível existir tantos tempos e tantas cidades, cabe ao caminhante perceber. E para que isso ocorra, é preciso se perder, se desviar dos caminhos propostos pela rotina. Esse é o exercício proposto pelo projeto de extensão do curso de Arquitetura e Urbanismo Deriva do Bem. A cada edição, um grupo se lança a esmo pelo espaço urbano e se dedica a produzir imagens e narrativas que passariam despercebidas se não fosse a abertura e o acaso. “É uma oportunidade de ver e viver a cidade sob outros ângulos”, comentou o professor Bráulio Vinicius Ferreira, da Faculdade de Artes Visuais (FAV), na abertura da Deriva 2017/1, realizada no dia 26 de maio, na Vila Cultural Cora Coralina.

Criado em 2008, o projeto já caminhou pelo Centro de Goiânia, pelo Setor Sul, pelo Setor Oeste e também pela Cidade de Goiás. Neste ano, a proposta de flanar por Campinas reuniu cerca de 40 pessoas interessadas na experiência. No Blog do Bráulio, os registros e as reações foram das mais diversas. “Campinas é caos. Caminhar pelo bairro é se deparar com as discrepâncias que só mesmo o ambiente urbano pode nos propiciar. Observar a intensidade das ruas repletas de pessoas apressadas, sons e cheiros e inúmeras informações sensitivas. Ao mesmo tempo em que a vida pulsa, há locais em que se repousa”, escreveu André Almeida. “Foi muito rico perceber a vibração que as pessoas promovem ao lugar. É como ser um turista onde sempre morou!”, avaliou Ravenna C., que destacou a importância de ir para o lugar sem propósitos, apenas “para estar”.

Diferentemente das outras edições, uma proposta incrementou a Deriva do Bem: Ana Flávia Maru, arquiteta formada pela UFG, propôs aos caminhantes o jogo da “Cartagrafia”. Ela distribuiu três cartas a cada sujeito ou grupo interessado em se guiar por verbos, frases e palavras soltas. Por meio dessas pistas, seria possível encontrar outras e, assim, registrar o vivido. “Como eu gravo? O que fica grafado? Qual a minha grafia?”, provocava uma das cartas. “Desvio – Desvie”, imperava outra. Sem saber se este seria um direcionamento ou apenas uma brincadeira, o flaneur da Campininha encontrou respostas por meio de seu próprio movimento.

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Fonte : Ascom UFG

Categorias : Extensão Edição 89

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