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Araguaia

Comportamento ambiental no Araguaia deixa a desejar

Investigação identifica diferenças impactantes entre o discurso e a prática dos turistas no que diz respeito à preservação do meio ambiente

Texto: Patrícia da Veiga/ Fotos: Gepelc

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"Chegou o mês, vai começar tudo outra vez”, anunciava massivamente, na década de 1990, uma campanha publicitária financiada por uma extinta rede de supermercados de Goiânia. A propaganda alertava para a necessidade de se preservar as praias do rio Araguaia, sobretudo nas férias de julho. “Não jogue  lixo  na  nossa casa/Essa beleza é para todo mundo/ Ô bicho homem, vê se não arrasa”, cantavam as personagens da animação, representando a fauna do Cerrado. O trailer não é mais reproduzido nas  emissoras  de  TV e rádio do estado, mas seu tema continua atual. Uma investigação realizada pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Esporte, Lazer e Comunicação da Faculdade de Educação Física e Dança (Gepelc/FEFD) constatou que o comportamento do turista ainda deixa a desejar.

Coordenada pelo professor Humberto Luís de Deus Inácio, a pesquisa teve como objetivo averiguar a consciência ambiental dos turistas que visitam Aruanã. Para tanto, o trabalho recorreu à aplicação de questionário e observação nos locais onde as pessoas se concentram. Como resultado, o estudo constatou contradição entre o discurso e a prática. Nas respostas preenchidas no papel, sobressaiu o entendimento de que é preciso cuidar e preservar o meio ambiente. Já na ação... “Você percebe lixo, uma churrasqueira ao lado da outra, produzindo calor, muito ruído, poluição provocada por veículos aquáticos motorizados e até dejetos fecais na água”, afirmou o professor Humberto.

A pesquisa, fomentada por edital  da Fundação de Amparo à  Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), foi realizada em julho de 2013. Antes de seu início, integrantes do Gepelc fizeram duas visitas a Aruanã para mapear a estrutura do município e conhecer o contexto local. Em julho, foram aplicados os questionários e levantadas questões como: a) o turista conhece a localização do órgão ambiental do município? b) se importa com o meio ambiente? c) sabe como cuidar? d) evita comprar produtos poluentes? e) procura fazer pouco ruído quando pratica atividades na natureza? f) não deixa lixo? g) recolhe o lixo que vê? h) usa meios de transporte menos poluentes? As respostas acusaram consciência ambiental de média para alta.

Na etapa da observação, os pesquisadores assistiram a três tipos diferentes de acampamento: os institucionais, os familiares e os de fim de semana. Aqueles promovidos por sindicatos, bancos, federações, entre outras instituições, por exemplo, possuíam regras de convívio, recipientes de depósito de lixo, coleta seletiva, horário estipulado para determinadas atividades e programação envolvendo práticas corporais. Nesses lugares, o comportamento ambiental se aproximou das declarações registradas nos questionários. Nos acampamentos familiares, a diferença entre discurso e prática ficou diluída, uma vez que cada grupo reunido seguia uma dinâmica própria de convivência. Montados por barqueiros antes do início da temporada, esses apresentam uma variada estrutura: há desde aquelas famílias que querem se isolar na natureza, sem muitos recursos, até as que levam geladeira, televisão e pia.

O contraste maior, porém, se deu nos acampamentos de fim de semana, que recebem a maior parte dos turistas. É onde estão os bares, que chegam a fornecer lixeiras e sanitários, mas não em quantidade suficiente para atender à grande demanda. “As pessoas vão com as suas barracas, os seus equipamentos e se instalam onde querem. Há muita bebida e desorganização. É tanta gente que as crianças se perdem. Mas um dado interessante é que os bombeiros ficam justamente aí para fazer a segurança”, relatou o professor Humberto.

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Poder Público

O que mais chamou a atenção no processo de conclusão da  pesquisa foi a ausência do poder público nessa dinâmica toda. “Esperávamos uma regulação mais forte e uma atuação mais presente  por  parte do poder público, seja estadual, municipal ou da Marinha”, opinou Humberto. Em entrevistas realizadas com secretários da prefeitura de Aruanã, isso foi questionado. A resposta é que há ações pontuais, o que o grupo não considerou como suficiente. “Por exemplo, a prefeitura recolhe o lixo das ilhas. Os barcos passam em pontos estratégicos e recolhem os sacos de lixo. Então o barco pára, o gari joga o saco para dentro e vai embora. O que está espalhado fica na ilha, ninguém pega”, explicou o professor. Os pesquisadores entendem como necessária a ampliação de programas e campanhas de Educação Ambiental antes  e durante o período de férias. Também insistem em uma fiscalização maior, principalmente, nos acampamentos de fim de semana.

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Categorias : pesquisa edição 88

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