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CAMINHOS

Avaliação institucional e construção de indicadores de boas práticas acadêmicas

Professor da Regional Catalão fala sobre Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras

Luiz do Nascimento Carvalho é professor do curso de Psicologia da Regional Catalão

A UFG encontra-se atualmente em seu oitavo ciclo avaliativo (2015-2017), um processo que teve início nos anos 1990 (UFG, 2015), com o Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB). Atualmente, acompanha-se o modelo de avaliação institucional estabelecido pelo Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes), Lei n. 10.861, de 14 de abril de 2004, que é constituído por três componentes principais: avaliação das instituições, dos cursos e do desempenho estudantil, centrado no ensino, na pesquisa e na extensão. Destaca ainda o tema da responsabilidade social, o desempenho dos e das estudantes, a gestão da instituição, o corpo docente, as instalações, dentre outros aspectos (Inep, 2011). Para realizar esse processo utiliza-se de triangulação de instrumentos complementares como a autoavaliação, realizada por órgãos da própria UFG, avaliação externa, Enade, avaliação dos cursos de graduação, além do censo educacional, sob a responsabilidade do Inep.

Avaliação Institucional e Integridade Acadêmica

O que vem a ser integridade acadêmica? Seria possível isolar práticas, processos, códigos de condutas ou institutos que, em conjunto, pudessem ser caracterizados como indicativos de institucionalização de práticas sociais íntegras e honestas em uma Ifes? Seria possível identificar, mensurar, acompanhar em uma comunidade acadêmico-científica ao longo do tempo a expressão e a metamorfose de tais processos e suas tendências convergentes ou divergentes em direção a esse constructo?

Para se instituir, estruturar e consolidar um Sistema de Avaliação da Integridade Acadêmica é fundamental responder a essas três questões. Integridade ou honestidade acadêmica (Academic Honesty and Integrity) é um conceito ético-político e visa avaliar determinadas práticas em termos de sua correição ou aceitação com base em um juízo de valor acerca do que é aceito como adequado ou inadequado por uma coletividade. O tema vem ganhando força à medida que se avolumam práticas reprováveis que colocam em cheque as atividades acadêmicas nas universidades e a reputação de seus agentes, em particular nas atividades de produção científica.

O fato é que instituições acadêmicas como a UFG encontram-se diante da necessidade de inserir nos ciclos e instrumentos avaliativos o tema da integridade, e abordá-lo de forma sistemática e com base em instrumentos já consolidados no processo de avaliação institucional.

Para inserir no processo avaliativo o tema da integridade acadêmica é necessário construir indicadores, ou seja, instrumentos que possibilitem identificar e medir aspectos relacionados ao fenômeno da integridade e traduzir de forma mensurável esse aspecto. Por exemplo: é possível, com base em um levantamento em que estudantes respondem quantas vezes na sua vida acadêmica praticaram a “cola”, estabelecer um índice de “cola” como indicador de integridade acadêmica na graduação. Ao mesmo tempo, do ponto de vista institucional, é possível avaliar a existência ou não de Comitês de Integridade, resoluções específicas sobre o tema, como indicadores institucionais de integridade e atribuir pesos a cada um desses dispositivos. O fato a ser considerado é que se instituindo um programa de avaliação que incorpore o tema da integridade, será possível não apenas avaliar o fenômeno, mas acompanhar o seu desenvolvimento e alterações, bem como os impactos de ações educativas (por exemplo) no processo de mudança nas práticas em direção a um patamar considerado aceitável ou ótimo de integridade.  

 

Categorias : Caminhos da Pesquisa Edição 84

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