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Inaugurado Centro Avançado de Diagnóstico da Mama

Unidade é a primeira do Centro-Oeste a disponibilizar aparelho que realiza biópsia da mama a pacientes do SUS

Thalízia Souza

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás inaugurou no final de setembro o Centro Avançado de Diagnóstico da Mama (CORA), que é a primeira unidade no Centro-Oeste a oferecer o exame de biópsia da mama por meio do aparelho de mamotomia a pacientes usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS).

A obra foi executada em parceria da UFG com o Instituto Avon e entidades públicas e privadas, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), os Ministérios Públicos de Goiás e do Trabalho, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a ONG Companheiro das Américas. O investimento foi de R$8 milhões.

Segundo a coordenadora de Ações de Rastreamento do CORA e professora da Faculdade de Medicina da UFG, Rosemar Macedo Souza Rahal, a ideia de construir um centro avançado de diagnóstico do câncer de mama surgiu em 2010, após uma visita da equipe de Mastologia do HC ao Hospital do Câncer de Barretos, no estado de São Paulo, que possui um mamótomo móvel. Ao verificarem as vantagens oferecidas pelo mamótomo no diagnóstico precoce do câncer de mama, ela e o chefe do Programa de Mastologia do HC, professor Ruffo de Freitas Júnior buscaram parcerias para a concretização da ideia.

O coordenador do Programa de Mastologia do HC/UFG e do Cora, Ruffo de Freitas Júnior, afirma que a meta é reduzir o índice de mortalidade de mulheres por câncer de mama na cidade de Goiânia e, principalmente, no interior do estado. Segundo ele, o índice se estagnou na capital, mas continua crescendo no interior. Com a inauguração do CORA, a expectativa é dobrar o número de mulheres atendidas no serviço, que hoje é de nove mil por ano.

 

Mamótomo

 

O CORA

Infraestrutura: 1.709,11 m2 divididos em três andares, 15 consultórios, salas para os exames de ultrassonografia, mamografia e mamotomia, além de salas para pesquisas clínicas e auditório com capacidade para 70 pessoas. A unidade também oferece duas amplas recepções, uma sacada e um espaço de convivência.

Sala sensorial: É a segunda no Brasil criada para a realização do exame de mamografia. A mulher poderá ouvir o som do mar ou do campo e ver imagens do local que ela escolher. A intenção é trazer mais tranquilidade, reduzindo o desconforto do exame.

Investimentos: R$ 8 milhões na construção do CORA provenientes de parcerias público-privadas da UFG com poderes públicos, entidades civis e uma ONG. O Instituto Avon destinou R$ 2,512 milhões; a UFG R$ 2 milhões; a FAPEG R$ 2,150 milhões; a Ebserh viabilizou R$ 614,767 mil ; o Ministério Público do Trabalho R$ 420 mil para a aquisição do mamótomo; o Ministério Público de Goiás comarca de Itaberaí, viabilizou cerca de R$ 70 mil reais; A ONG Companheiro das Américas entregou um cheque simbólico no valor de S$ 50 mil dólares destinado à aquisição de um software de digitalização de imagens, que será utilizado para a impressão das imagens de exames de ultrassonografia, mamografia e mamotomia.

Parcerias

Segundo a presidente da Fapeg, Maria Zaira Turchi, o CORA é um centro de referência e excelência exatamente por ser criado como um centro de pesquisa científica. “O governo de Goiás, por meio da Fapeg, acredita que essa parceria deve, além de equipar o Centro com equipamentos de ponta, dar continuidade na melhoria do serviço de atendimento em saúde por meio da formação de recursos humanos altamente qualificados. O CORA reúne projetos de mestrado e doutorado que serão acolhidos ali, além de outros já fomentados pela Fapeg, que vão contribuir para salvar vidas por meio da pesquisa aliada à extensão. E essa formação certamente continuará recebendo a atenção da Fundação para receber fomento em nossos diversos editais”, ressaltou.

Parceiro do Programa de Mastologia do HC há seis anos, o Instituto Avon aceitou a ideia e destinou R$ 2,5 milhões de reais para a construção da unidade. O diretor executivo do Instituto Avon, Lírio Cipriani, afirmou que se sente realizado com a concretização desse projeto, que beneficiará milhares de mulheres que hoje não têm acesso aos exames de diagnóstico e tratamento do câncer de mama. “O objetivo maior do CORA é reduzir o índice de mortalidade de mulheres por câncer de mama, que hoje está em 35 mulheres por dia”, destaca Lírio.

Irani Leite, irmã de Maria Aparecida, também já teve câncer de mama e a acompanhou na mamotomia
Irani Leite, irmã de Maria Aparecida, também já teve câncer de mama e a acompanhou na mamotomia

Prevenção e diagnóstico

Paciente do Programa de Mastologia do Hospital das Clínicas da UFG desde 2013, Maria Aparecida de Lima, 54 anos, realizou em outubro, no Centro Avançado de Diagnóstico da Mama (CORA), a biópsia da mama esquerda por meio do exame de mamotomia. Em abril deste ano, ao fazer o exame de mamografia, o resultado revelou a presença de microcalcificações na mama esquerda de Maria Aparecida, o que levou a equipe médica da Mastologia do HC a solicitar o exame de biópsia.

Em 2013, Maria Aparecida foi diagnosticada com câncer na mama direita. Residente da cidade de Itauçu, distante 72 quilômetros de Goiânia, ela foi encaminhada para fazer o tratamento no HC. O diagnóstico revelou que a doença estava no estágio 3 (o estágio mais avançado da doença), por isso Maria Aparecida teve que ser submetida a uma cirurgia para a retirada da mama direita e reconstrução mamária, além de receber sessões de quimioterapia e radioterapia. Desde então, Maria Aparecida é acompanhada pela equipe médica do HC e, a cada seis meses, retorna ao hospital para consultas e exames de rotina.

Ela conta que sentia fortes dores na mama direita, mas que demorou a procurar um médico. Somente depois que sua irmã foi diagnosticada com a doença, em 2012, Maria Aparecida tomou coragem para procurar ajuda. O apoio e o exemplo da irmã, Irani Leite Borges, 58 anos, foram fundamentais para que ela buscasse forças para realizar o tratamento. “Nós estamos sempre juntas, ela me dá muita força”, disse Maria Aparecida para a irmã que a acompanha nas consultas e exames.

O exame foi realizado pelos médicos Luiz Fernando Pádua de Oliveira e Lilian Soares Couto, juntamente com o residente Leonardo Ribeiro Soares, do Programa de Mastologia do HC. Segundo a médica Lilian Soares Couto, a realização da biópsia no mamótomo dura cerca de 30 minutos, trazendo agilidade ao procedimento, que não precisa mais ser realizado em um centro cirúrgico. O laudo deve ser liberado em até 30 dias.

 

Categorias : Saúde Edição 84

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