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Planta auxilia limpeza de resíduo industrial

Pesquisa da UFG propõe tratamento natural da água resultante da produção do concreto, dando sustentabilidade à atividade

Silvânia Lima

Durante o processo de produção, as usinas de concreto demandam grande consumo de água e enfrentam o desafio da poluição residual. Para cada metro cúbico de concreto são consumidos 500 litros de água, sendo metade na produção e a outra metade nas atividades ligadas a ela, gerando água residual, problema que exige solução eficiente. Pesquisa realizada na Universidade Federal de Goiás (UFG) propõe tratamento natural com o uso da planta moringa oleifera.

Sob a coordenação do professor Heber Martins de Paula, da Regional Catalão da UFG, a pesquisa obteve sucesso na utilização da semente da moringa oleifera, que se apresenta como um importante auxiliar na remoção da turbidez da água oriunda da produção do concreto. Com o tratamento, a água fica apta ao reuso na própria atividade, promovendo economia de recursos hídricos. De acordo com o professor, a introdução de um coagulante natural no processo de tratamento de água residual, minimizando os resíduos gerados e o consumo de água na produção, contribui para o desenvolvimento de um ciclo sustentável do concreto.

Normalmente, os tratamentos para águas residuais são realizados com coagulantes químicos. Como não havia, ainda, tratamento proposto para a água residual do cimento, o professor resolveu testar um coagulante natural, associado aos coagulantes químicos. A resposta positiva veio com a introdução da semente da moringa oleifera, já adotada em tratamentos de outros tipos de águas residuais provenientes, por exemplo, de laticínios e de curtumes. No tratamento da água oriunda da produção do cimento foi utilizada uma porção de 46,5% da semente da moringa e 53,5% de químicos. “A experiência mostrou ainda que quanto maior a presença de resíduos na água, maior a eficiência do tratamento proposto. A associação da moringa aos coagulantes químicos potencializou o tratamento da água residuária do cimento, atingindo uma eficiência de 99,9% na remoção da turbidez da água”, afirma o professor.

A pesquisa fez parte da tese de doutorado do professor Heber Martins de Paula, realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com o envolvimento de um grupo de professores, alunos e funcionários de uma usina de concreto em Catalão, Goiás, onde um projeto piloto de tratamento está sendo implantado. Em sua fase inicial ganhou o primeiro lugar, na categoria pesquisa, na 20ª edição do Prêmio CBIC de Inovação e Sustentabilidade, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção, em 2014.

Mas o estudo continua. O objetivo da nova fase é utilizar o resíduo sólido proveniente do tratamento da água como aglomerante na produção de blocos de concreto para fins não estruturais, tornando a produção mais limpa. “Os primeiros resultados foram interessantes, com a produção de blocos de vedação resistentes à compressão e que atendem às normas técnicas. Estamos em fase de testes”, informa Heber Martins.

Na pesquisa, foram efetuadas coletas em três pontos de geração de água residual da produção do concreto: (1) entrada da água residual de pátio e dos caminhões betoneira; (2) câmaras de decantação (neste ponto existem seis pequenas câmaras por onde a água passa para efetivar a sedimentação – vide foto); e (3) saída da água após a sedimentação.
Na pesquisa, foram efetuadas coletas em três pontos de geração de água residual da produção do concreto: (1) entrada da água residual de pátio e dos caminhões betoneira; (2) câmaras de decantação (neste ponto existem seis pequenas câmaras por onde a água passa para efetivar a sedimentação – vide foto); e (3) saída da água após a sedimentação.

Alto consumo de água

As usinas de concreto são grandes consumidoras de água tanto na produção quanto no volume residual gerado. Uma usina de médio porte produz cerca de 250 m3 a 300 m3 de concreto por mês e o volume de água residual gerado equivale, praticamente, ao mesmo volume de água consumida diretamente na produção do concreto. Trata-se da água utilizada na lavagem de pátio e dos caminhões betoneira e na umectação de agregados. Soluções como essa do uso da moringa oleifera no processo de tratamento da água residual do concreto são de grande importância pela eficiência, baixo custo e sustentabilidade.

Solução contendo 46,5% de sementes trituradas da moringa oleifera e 53,5% de sulfato de alumínio e cloreto férrico.
Solução contendo 46,5% de sementes trituradas da moringa oleifera e 53,5% de sulfato de alumínio e cloreto férrico.

Reuso da água

A água tratada a partir do estudo da UFG pode ser aplicada diretamente na produção do concreto, tanto concreto armado quanto concreto simples, visto que reduz significativamente a quantidade de material suspenso que poderia influenciar nas propriedades do concreto como, por exemplo, o tempo de pega, ou ainda, a resistência à compressão. Podendo ainda ser destinada para rega de jardins, áreas verdes, lavagem de veículos, descarga de bacias sanitárias. (este item pode ser suprimido, caso necessário)

A água tratada pode ser reutilizada na própria indústria para a produção do concreto, lavagem de veículos, descarga de bacias sanitárias e até em rega de áreas verdes e jardins.
A água tratada pode ser reutilizada na própria indústria para a produção do concreto, lavagem de veículos, descarga de bacias sanitárias e até em rega de áreas verdes e jardins.  

Planta multiuso

Largamente utilizada em algumas regiões brasileiras, a moringa oleifera é conhecida como uma planta medicinal para muitos males, chegando a ser considerada milagrosa. Dela muito se aproveita, das folhas, flores, vagens, raízes, casca, resina, sementes e óleo são registrados mais de 60 usos. Folhas e vagens são alimentos nutritivos que ajudam no combate à fome no Norte, Nordeste e Centro-oeste. Forrageira para os animais, matéria-prima para a confecção de objetos artesanais diversos. No entanto, são as propriedades purificadoras das sementes na água que mais rendem sua fama. Depositadas em águas turvas e barrentas, as sementes da moringa decantam as impurezas, reabilitando sua potabilidade.

A proteína produzida pela moringa oleifera, em contato com os químicos, potencializa a capacidade de coagulação dos resíduos presentes na água. O tempo de sedimentação pode variar de 15 minutos a 30 minutos, dependendo do grau de turbidez da água.
A proteína produzida pela moringa oleifera, em contato com os químicos, potencializa a capacidade de coagulação dos resíduos presentes na água. O tempo de sedimentação pode variar de 15 minutos a 30 minutos, dependendo do grau de turbidez da água.

Fácil manejo

A moringa oleifera é uma planta originária da Índia, mas muito bem adaptada ao Brasil. Pouco exigente quanto ao solo, mas muito em relação ao sol; se reproduz facilmente a partir de galhos de plantas adultas, estacas ou sementes, seu crescimento é rápido, podendo atingir entre 5m e 7m. Com menos de um ano já produz as sementes. Para que não falte a planta nas usinas que a adotarem no tratamento da água residual, o professor Heber Martins sugere que sejam plantadas as moringas nas divisas de suas áreas, funcionando, inclusive, como uma barreira natural para dispersão de material pulverulento na atmosfera.

Saiba mais em vídeo.

 

Categorias : pesquisa Edição 84

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