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Pesquisadores da UFG descobrem novas espécies de plantas

Duas variedades até então desconhecidas pela ciência foram identificadas no Sudoeste Goiano por equipe de biólogos da Regional Jataí

Neojobertia alboaurantiaca: uma das espécies descobertas pela equipe da Regional Jataí e já ameaçada de extinção

Neojobertia sp. novae: uma das espécies descobertas pela equipe da Regional Jataí e já ameaçada de extinção

 

Camila Godoy

O planeta Terra é mesmo uma caixinha de surpresas. Mesmo com toda a destruição ambiental provocada pelo homem, ainda é possível se surpreender com a resistência da natureza e toda a sua riqueza. Foi assim com alguns pesquisadores da Regional Jataí da UFG que, durante um trabalho de campo, descobriram duas novas espécies de plantas. A descoberta ocorreu quando o grupo de pesquisa em flora da regional, que fazia coletas rotineiras e identificava amostras da vegetação do Sudoeste Goiano, se deparou com duas espécies, até então sem descrição científica. Eles enviaram exemplares da vegetação para diversos especialistas, que confirmaram as suspeitas. Foi então que os biólogos da Universidade registraram pela primeira vez as espécies Bacharis sp. novae e Neojobertia sp. novae. Atualmente, amostras dessas plantas estão depositadas no Herbário Jataiense.

Segundo a professora Luzia Francisca de Souza, que coordenou o trabalho, as novas espécies evoluíram no Cerrado e não são encontradas em nenhum outro lugar do mundo. “São plantas raras, mas que já nasceram para a sociedade sendo fortemente ameaçadas de extinção, principalmente por conta do descaso com a conservação desse bioma”, alerta. Ela explica que a Baccharis sp. é uma erva que gosta de áreas úmidas e ensolaradas e que tem alto potencial para aproveitamento medicinal, visto que é parente da conhecida carqueja. Ainda segundo a professora, a Neojobertia sp. novae, parente dos ipês e da catuaba, é um tipo de trepadeira com grandes flores, bastante ornamental, que gosta de locais secos e ensolarados e que também pode ter propriedades medicinais.

 

Novidades para Goiás

Durante o trabalho de campo, o grupo também identificou a presença de quatro espécies conhecidas pela ciência, mas que nunca haviam sido encontradas em Goiás: Thismia panamensis, Bacopa scabra, Ocotea notata e Cereus bicolor. Luzia Francisca de Souza explicou que algumas dessas plantas até são típicas do Cerrado, mas não do solo goiano. “Além disso, essa foi a primeira vez que a T. panamensis foi identificada no Brasil. Típica de outros países da América do Sul e Central, ela está colonizando áreas sombreadas e úmidas de matas semideciduais no domínio do Cerrado em Jataí”, completa.

 

Pesquisa

A descoberta da UFG é fruto dos esforços dos pesquisadores em identificar as espécies de vegetação do Sudoeste e Oeste Goiano. O levantamento vai compor o catálogo Flora do Brasil 2020, que reúne informações sobre a diversidade vegetal brasileira, cadastradas em uma plataforma online e divulgadas em tempo real. O aumento no número de registros tem atraído  mais recursos financeiros de agências internacionais para as fundações de apoio às pesquisas brasileiras. Além disso, os estudos que identificam as condições de espécies auxiliam na formulação de políticas públicas para preservação da biodiversidade. “Sem conhecer, saber onde estão as espécies e quais são suas condições atuais, não há como sugerir medidas de conservação desses recursos”, defende a professora.

 

 

Fonte : Ascom/UFG

Categorias : pesquisa Edição 83

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