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A ciência pelos olhos das crianças

Em novo quadro do programa Viver Ciência, o Casulo de Ideias, TV UFG explora visão particular que os pequenos têm do mundo

Angélica Queiroz | Fotos: TV UFG

“As crianças têm uma visão muito particular do mundo à sua volta. Elas viajam, inventam e adaptam a realidade conforme suas próprias regras. Essa é a matéria-prima do novo quadro do Viver Ciência: o Casulo de Ideias”. Foi assim que o apresentador do Viver Ciência, Divino Rufino, descreveu o quadro em seu primeiro episódio. Estrategicamente importante para a TV UFG, o Casulo de Ideias é uma produção própria que contempla um nicho do público até então inexplorado pela emissora: o infantil.

Produtora do Viver Ciência, Aline Leão explica que o programa está em sua 4ª temporada e a cada ano passa por reformulações, sempre com o foco de divulgar pesquisas da Universidade. A ideia do quadro Casulo de Ideias surgiu a partir de uma reformulação feita no fim da 3ª temporada, juntamente com os pró-reitores de Pesquisa e Inovação e de Pós-Graduação da UFG. “Já que o intuito do programa é mostrar que a ciência está ao alcance de todos, precisávamos atingir de alguma forma o público infantil ou pré-adolescente. Assim, o quadro surgiu para mostrar o que as crianças pensam a respeito do tema, com animações e uma trilha sonora divertida”, explica a produtora.

 

Casulo de ideias

 

Todos aprendem algo novo

As crianças entrevistadas têm entre cinco e nove anos, com a intenção de que o quadro fique com um ar ingênuo e infantil. “Nem todas as crianças vão saber explicar o que é o tema e gostamos de deixar a imaginação fluir”, detalha Aline Leão. Para a entrevista com as crianças, são abordados aspectos mais leves dos temas tratados. “Se o episódio é sobre sistema prisional, abordamos o castigo; se é sobre reuso da água, abordamos a economia de água”, exemplifica Aline Leão. Na sequência do programa, após a exibição do quadro, os pesquisadores convidados refutam ou corroboram de forma simples o que as crianças disseram. “Fazemos isso de forma descontraída e, o mais importante, educativa”, complementa Divino Rufino. Como o programa Viver Ciência tem 32 episódios por temporada, serão 32 quadros do Casulo de Ideias em 2016.

As entrevistas são gravadas em locais onde a criança se sinta à vontade para conversar e a produção costuma buscar por aquelas mais extrovertidas, criativas e falantes. Para o apresentador do Viver Ciência, as conversas com as crianças têm sido maravilhosas. “Eu gosto muito de conversar com crianças e fazer perguntas mirabolantes; dar um nozinho na cabeça delas e ficar na expectativa das respostas. Agora estou tendo a oportunidade de fazer isso na TV, com várias crianças e falando sobre ciência, que é um assunto riquíssimo. Acredito que todos estão se divertindo: eu, as crianças e o pessoal de casa”, relata.

Divino Rufino destaca que os adultos têm muito o que aprender com as crianças e que as respostas dos pequenos costumam ser surpreendentes, ora pela ingenuidade, ora pela esperteza. “Perguntei para Júlia, de cinco anos, quantos dentes ela tinha na boca e ela respondeu: ‘todos’. Eu buscava um número, mas ela foi mais esperta”, se diverte o apresentador que lembra ainda que, muitas vezes, as dúvidas das crianças são as mesmas dos adultos e, no estúdio, especialistas assistem ao quadro e esclarecem as questões. “No fim, todos aprendem algo novo, esse é o grande barato do Casulo”.

O apresentador destaca ainda que, além das crianças, a edição é a responsável pelo sucesso do Casulo de Ideias. “As editoras de vídeo Wanessa Costa e Dayenn Bennett dão vida às ideias das crianças por meio de animações que tornam o bate-papo ainda mais engraçado”, detalha. A produtora do programa acrescenta: “é um quadro que necessita de animação, feita de forma mais lúdica, para que as crianças possam entender e se divertir com a tradução literal da fala, trazendo em forma de imagem o universo infantil”.

 

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Faz de conta

A coordenadora pedagógica do Departamento de Educação Infantil do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada a Educação (DEI/Cepae/UFG), Ana Rogéria Aguiar, destaca a importância do faz de conta nessa faixa etária escolhida para o Casulo de Ideias. “As atividades de faz de conta possibilitam a interpretação de papéis e a elaboração que a criança faz sobre a realidade”, explica. Segundo a pedagoga, por meio destas atividades a criança aprende a resolver conflitos do cotidiano e, ao mesmo tempo, planeja e organiza ações utilizando instrumentos mediadores. “Na perspectiva pedagógica consideramos fundamental o faz de conta, que se diferencia da fantasia. O imaginário infantil é repleto de elementos que se constituem a partir da relação da criança”, completa.

Ana Rogéria concorda com o apresentador do Casulo sobre termos muito a aprender com as crianças. “Vejam o mundo com os olhos das crianças”, aconselha. Sobre a melhor forma de atingir o público infantil, a pedagoga afirma que a produção do programa acerta ao pensar em algo atrativo e destaca que a linguagem utilizada é fundamental. “Sem ‘infantilizar e sem adultizar’. Para atingir esse público é preciso lembrar sempre que o sujeito é uma criança, real e concreta”.

 

O Casulo é um quadro que faz rir, por isso o mais marcante, na minha opinião, foi o que por um instante provocou efeito contrário no episódio sobre Musicoterapia. Nós fomos ao Hospital Araújo Jorge para gravar com o Kaique, 10 anos, e que há seis meses estava internado travando uma batalha contra o câncer. Quando perguntei a ele qual era o som que ele mais gostava, ele respondeu que era o barulho das panelas quando a mãe fazia almoço. Essa simples resposta resumiu a saudade que ele sentia de casa e, por isso, foi comovente”. (Divino Rufino)

 

 

Categorias : Universidade Edição 81

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