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Carona UFG

Estudantes em rede

Grupos criados na internet por acadêmicos da UFG promovem interação e disseminam solidariedade

Luiz Felipe Fernandes

Fotos: Carlos Siqueira

Em uma breve publicação no Facebook, uma estudante de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Goiás (UFG) pede carona até o Câmpus Samambaia às segundas-feiras de manhã. Não demora muito e ela recebe a resposta de outro estudante oferecendo a corrida semanal. No Instagram, um acadêmico de Odontologia publica a foto de uma carteira da Biblioteca encontrada próximo ao Centro de Aulas D, na Praça Universitária. Logo uma amiga identifica a dona do documento e a marca na publicação. Carteirinha recuperada!

É evidente que uma instituição de ensino superior possui canais oficiais de comunicação, mas as redes sociais na internet possibilitam uma interação entre os integrantes da comunidade universitária com objetivos específicos e para necessidades que surgem no decorrer da vida acadêmica. São várias as comunidades virtuais criadas por estudantes da UFG, mas algumas delas se destacam por criar uma rede de solidariedade que tem ajudado muita gente.

 

Carona UFG

Conscientes da importância da ajuda, quem adquire um carro passa a oferecer carona aos colegas

 

CARONA UFG

Facebook e WhatsApp

4.442 integrantes no Facebook (até o dia 6 de julho)

O grupo surgiu em 2012, quando o estudante de Sistemas de Informação Ygor Alberto Terra, observou durante as mais de duas horas de espera pelo ônibus da linha 302, a grande quantidade de carros só com o motorista. De lá para cá, a comunidade cresceu e promove caronas para as unidades da UFG, para eventos ligados direta ou indiretamente à Universidade e até para outras cidades.

Para manter a organização e a segurança, apenas pessoas com vínculo com a UFG podem ingressar no grupo. As publicações na página começam com as palavras “procuro” ou “ofereço”, com descrição do trajeto e pontos de referência. Também foram criados dois grupos no WhatsApp – o Carona UFG Integral, para os que estudam no período matutino e/ou vespertino; e o Carona UFG Noturno. A colaboração com o combustível é combinada entre caroneiro e motorista, embora não seja obrigatória.

Moradora de Goianira, a estudante de Ciências Contábeis Aryadne Rodrigues Moreira, conta que o tempo gasto para chegar à faculdade cai pela metade com a carona que ela recebe a partir do Setor Universitário. Ela recorreu ao grupo por causa de uma conta que não fechava: saía do trabalho às 18h e tinha uma aula às 18h05min. De ônibus, obviamente, não conseguia chegar a tempo. Tiago Hermano, acadêmico de Sistemas de Informação, também pega carona há mais de um ano, evitando assim os dois ônibus que seriam necessários para chegar até o Câmpus Samambaia. Além do tempo, ele cita o maior conforto em relação ao transporte público.

Já o estudante de Engenharia de Software, Igor Cavalcante, passou de caroneiro a motorista. “Depois que comprei o carro comecei a dar carona, porque sei que ajuda muita gente”. Foi o mesmo que aconteceu com o outro Ygor, criador do grupo. Hoje ele tem carro e oferece caronas a outros estudantes. O próximo passo, segundo ele, é criar um aplicativo de celular para facilitar o contato entre os usuários.

 

achados e perdidos

Página achadoseperdidosufg tem 812 seguidores

 

ACHADOS E PERDIDOS

Instagram e Facebook

812 integrantes e 271 curtidas

A publicação de itens achados e perdidos é comum em grupos criados por estudantes da UFG na internet. A acadêmica de Ciências Biológicas, Joyce Mamede, achou que seria uma boa ideia criar um grupo específico para esta finalidade. E foi! “Já fiz mais de cem posts sobre objetos achados e perdidos e vi muita gente se beneficiando da página. É uma ajuda pequena, mas não me dá trabalho e eu fico feliz em poder colaborar”, conta a estudante.

Tem de tudo nas publicações do Achados e Perdidos: documento de identidade, carteira da biblioteca, pen drive, telefone celular, óculos, caderno, blusa de frio, entre vários outros itens. Como as redes sociais permitem marcar os amigos nas publicações, muita gente acaba recebendo o alerta de outras pessoas conhecidas e recuperam o objeto.

 

NÚCLEOS LIVRES

Facebook

4.326 membros

Todo começo de semestre letivo a UFG divulga a lista de disciplinas do Núcleo Livre. O objetivo é garantir ao estudante liberdade para ampliar sua formação. As disciplinas eletivas são escolhidas pelo aluno, dentre todas oferecidas nessa categoria pelas diferentes unidades acadêmicas, de acordo com os pré-requisitos exigidos. Diante da possibilidade de escolher uma área de conhecimento diferente do curso no qual está se graduando, nada melhor que trocar experiências sobre o conteúdo das disciplinas, professores e vagas disponíveis.

Foi esse o objetivo da estudante de Psicologia Thais Martins Sousa ao criar o grupo Núcleos Livres UFG, aproveitando a experiência que teve em uma comunidade virtual semelhante na Universidade de Brasília (UnB). A página ajuda alunos de cursos que exigem uma alta carga horária de disciplinas de Núcleo Livre – na Psicologia, por exemplo, são sete de 64 horas. Além das informações sobre as disciplinas, os integrantes do grupo compartilham eventos, cursos, oportunidades de estágio, entre outras informações.

 

Do real ao virtual

As redes sociais estabeleceram novas formas de relação entre as pessoas. O professor da Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal de Goiás (FIC/UFG), Daniel Christino, explica que elas funcionam como dispositivos que fornecem alguma estruturação para as interações sociais. “A questão é que estas relações, quando se dão apenas dentro do dispositivo, tendem a ser superficiais, intensas e de curta duração. Assim, quando um determinado assunto mobiliza a opinião dos indivíduos, eles rapidamente usam as ferramentas do Facebook para gerar identidade e sectarização. Não há muito espaço para a reflexão porque, no limite, não há tempo para que as opiniões se cristalizem e sofram críticas na própria cabeça dos estudantes”, considera.

O resultado, segundo o professor, é uma precipitação da ação sem a necessária reflexão. Daniel Christino ressalta, porém, que estes dispositivos podem permitir a solidariedade e a disseminação de práticas solidárias, a exemplo dos grupos criados na internet por estudantes da UFG em busca de ajuda mútua. A diferença, nesses casos, é que há uma dimensão real que orienta a ação.

 

Categorias : Comportamento Edição 81

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