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Professora relata experiência na ONG Médicos Sem Fronteiras

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Professora relata experiência na ONG Médicos Sem Fronteiras

Ionara Rabelo, da Regional Goiás, já atuou cinco vezes junto à organização e esteve na África, Oriente Médio e América do Sul 

Texto: Weberson Dias  | Fotos: Arquivo Pessoal

Para Ionara Rabelo, cada país é uma nova e diferente experiência, sempre com algo a aprender

Para Ionara Rabelo, cada país é uma nova e diferente experiência, sempre com algo a aprender

 

A psicóloga e professora dos cursos de Filosofia e Serviço Social da UFG Regional Goiás, Ionara Rabelo, retornou no início deste ano da viagem a Turquia e Síria, países onde esteve em missão auxiliando a organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). Essa é a quinta viagem que a professora faz pela entidade a países nos quais a crise humanitária já é uma realidade. Ionara Rabelo, que já esteve no Oriente Médio, Turquia, Síria e Libéria, relata que o trabalho voluntário é algo que modifica a percepção do mundo.

Segundo a professora, fazer parte da UFG Regional Goiás é um estímulo para estudar as metodologias humanitárias internacionais para a intervenção junto às crianças e mulheres em situação de violência. Segundo ela, a Universidade autoriza sempre que ela faz o pedido de afastamento para outro país e, na volta, ela pode então produzir reflexões teóricas por meio de artigos científicos ou capítulos de livros. “Vinculado com a produção do saber, compartilho minhas experiências com os alunos e crio novas perspectivas de trabalho junto a eles”, detalha.

O trabalho voluntário, de acordo com Ionara Rabelo, é algo que modifica a percepção do mundo e o maior desafio é se perceber fazendo parte da história e ajudando a alterar sua escrita, talvez para construir em conjunto um mundo melhor. “Quando estamos lá, como profissionais, cuidamos pensando no outro. Nosso compromisso é de construirmos juntos. A ‘Médicos Sem Fronteiras’ me ajudou a ampliar minha perspectiva de compromisso social, de imaginar que o mundo pode ser melhor e que eu contribuo com uma pequena parte, não importa em que ponto do mundo eu esteja”, afirma.

 

 No trabalho, a professora sempre tenta desenvolver metodologias novas, que envolvem sobreviventes de países em conflito ou vítimas de violência

No trabalho, a professora sempre tenta desenvolver metodologias novas, que envolvem sobreviventes de países em conflito ou vítimas de violência

 

A menina e a boneca

O atendimento ao longo de vários meses de uma menina síria de quatro anos de idade foi uma das experiências mais marcantes para Ionara Rabelo. A professora recorda-se que, durante a guerra e sem energia elétrica, a casa da criança pegou fogo e ela perdeu sua irmã gêmea. Só restou ela, a mãe, a irmã de cinco anos, o pai e o avô. No mesmo incêndio, a criança teve 90% do corpo queimado e seus ossos dos pés ficaram totalmente deformados, tamanha a gravidade das queimaduras.

“Por muitos meses, a criança ficou internada, passando a ter medo da equipe médica e horror a hospitais. Por causa disso, quando chegamos ao país, tivemos que prepará-la para a próxima cirurgia. Com o auxílio da mãe, consegui construir o vínculo de confiança com a menina. Entre as estratégias adotadas por mim estavam a ludoterapia e as massinhas de modelar, sempre com apoio da mãe e da irmã um pouco mais velha que ela. Sentávamos juntas no chão e brincávamos durante as sessões, geralmente brincadeiras que envolviam cuidados”, relata. Nessas sessões a professora descobriu que a criança destruía todos os presentes novos que ganhava, como forma de voltar para a casa incendiada. “Ela também se mostrava irritada o tempo todo, não se alimentava nem dormia direito, sempre chorava antes do banho, não deixava ninguém tirar a meia dos pés e não permitia que ninguém os lavasse”, completa Ionara Rabelo.

A professora explica que a menina sofria muito quando tinha que fazer exames e passar por consultas. “Foram várias sessões até que pudesse aceitar novas brincadeiras, novos ambientes, uma nova perspectiva de vida. Foi em uma dessas sessões que trabalhei o cuidado dela com a boneca, brincávamos que a boneca iria precisar de uma cirurgia no pé. Na preparação para a cirurgia a mãe nos explicava como a boneca poderia se sentir mais segura. Pusemos o hijab (véu que cobre a cabeça das muçulmanas) na boneca, enfaixamos a perna, colocamos talas feitas de lápis de cor e, em uma folha, desenhei o Raio-X e brincamos que iríamos fazer a cirurgia na boneca. Ao voltar para casa, orientei a criança que ela e a irmã mais velha deveriam criar brincadeiras, mas que a boneca não poderia sair da cama por dois dias, até voltar para a sessão. Com isso, a pequena síria começou a se preparar para o longo processo de recuperação cirúrgica que ela teria que enfrentar, aprendeu a confiar na equipe médica e a dar limites de como tocá-la”, relata a professora. “Isso é fantástico, emociono-me só de lembrar”, conclui.

 

A menina e a boneca

 

Médicos Sem Fronteiras

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi criada em 1971, na França, por jovens médicos e jornalistas, que atuaram como voluntários no fim dos anos 60 em Biafra, na Nigéria. No Brasil, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) chegou em 1991. A entidade é independente e comprometida em levar ajuda às pessoas que mais precisam.

Para saber mais acesse aqui o site da ONG

 

Para ler o arquivo completo em PDF clique aqui

 

Fonte : Ascom UFG

Categorias : Regional Goiás Médicos Sem Fronteiras

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