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ARTIGO: Um mapa de possibilidades

Marca Jornal UFG 74

 

 

ARTIGO: Um mapa de possibilidades

Texto: Eguimar Felício Chaveiro*

Eguimar Felício Chaveiro

 

Frequentemente, nos círculos de professores universitários, são suscitados exemplos de uma novidade no mundo da escola: os alunos não cessam, mesmo em atividades de aulas, de teclar os seus celulares. Alguns evadem tanto, que contornam o corpo em direção oposta aos professores. Há, ainda, os que saem e entram na sala como se fossem acossados por palavras distantes de suas vontades e de seus ritmos. As explicações ao fato ganham contornos diversificados: o que se vê é a emergência de um novo sujeito, o sujeito global.

 

Está em curso um mecanismo de captura da audição e da subjetividade, isto é, entramos na era de uma subjetividade forjada na tempestade, cujo resultado é a fragmentação do sujeito. Convém problematizar: a instabilidade da economia atual, os intensos fluxos organizados em redes, as estratégias transfronteriças do mercado, o desdobramento cotidiano e midiológico da violência, a denominada explosão de informações e os perigos da vida urbana impactam as subjetividades?

 

Tratamos de esclarecer que não se trata apenas de impactos exemplificados na ansiedade de jovens para atualizar os seus status no Facebook; ou o seu medo consoante ao desemprego estrutural e ao seu futuro; ou mesmo a insegurança de adultos relativa à manutenção de sua família; ou o temor de idosos na garantia das aposentadorias e do atendimento da saúde. O que está em consecução são subjetividades constituídas e atravessadas por essa economia de signos que, comumente, infantilizam, adoecem, impõem linhas de fugas ao sujeito, retirando-lhe a atenção, a escuta, a capacidade de discernir as forças que lhes atravessam e a potência criadora de suas faculdades sociais e culturais.Contudo, nada é linear, pois a juventude que se vê massacrada de informações é convidada a discutir mais sobre os temas do mundo e se posicionar diante das várias ideologias e dos múltiplos imaginários tecidos dentro e fora das instituições de comando. Junta-se a isso o poder de autonomia para comunicar, associar e organizar.

 

Frente a isso, as ruas, com rapidez, enchem-se de gente. Nas fendas das máquinas de controle e contra a “militarização da existência”, surgem propostas e alternativas que não se curvam aos espaços que afetam a saúde cognitiva e aos meios que adoecem. São bandas, grupos de poesia, de teatro, de cinema e, inclusive, de ações de trabalho; são grupos de jovens que, corajosamente, participam ou colaboram com os Movimentos Sociais sem perder o seu ethos, as suas insígnias e a sua cultura.

 

Poder-se-ia dizer que há um novo mapa de possibilidades políticas inserido em novos estatutos da luta de classe, da organização de gênero e étnica, das identidades juvenis e da produção das subjetividades. Há, igualmente, problemas antigos travestidos de cores novas. Em muitos casos, ou quase em todos, as ladainhas de reclamações feitas pela idealização do passado, no “antigamente a escola era boa”, “antigamente a juventude era combativa”, fora o equívoco da análise, pouco ajudam a compreender a complexidade do que está posto e, também, pouco contribuem para enxergar o cerne dos atuais conflitos – e as imensas possibilidades de compor raias de solidariedade e de criação.

 

Com efeito, não se trata apenas da erosão do íntimo, da fabricação de emoções desequilibradas e de cognições torpedeadas por impulsos de toda sorte, como se as subjetividades fossem alheias aos conteúdos sociais de onde emergem. Refleti-las, na sua totalidade, requer a crítica social - esta não pode ser feita apenas pela via de uma razão genérica e burocrática, mas de uma razão sensível atenta aos grupos e às singularidades.

 

*Eguimar é professor do Instituto de Estudos Sócio-Ambientais (Iesa) da UFG

 

Para ler o arquivo completo em PDF clique aqui

 

Fonte : Ascom/UFG

Categorias : artigo Educacão

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