Weby shortcut
Youtubeplay

Extratos de plantas do Cerrado são base para inseticidas

Marca Jornal UFG 74

 

 

Extratos de plantas do Cerrado são base para inseticidas

Pesquisa do IPTSP comprova que produto botânico tem eficiência contra mosquito da dengue e apresenta vantagens em relação aos químicos

Texto: Angélica Queiroz | Fotos: Camila Caetano

 

Extratos de plantas do Cerrado são base para inseticidas 

Plantas do Cerrado como cajuzinho, tinguí e copaíba, podem ser utilizadas como base de inseticidas capazes de combater mosquitos, entre eles o Aedes aegypti, transmissor da dengue, e o Culex quinquefasciatus, conhecido popularmente como muriçoca. Testes laboratoriais desenvolvidos no Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e aplicações realizadas pelos pesquisadores na cidade de Senador Canedo, comprovaram que os inseticidas produzidos com base em substâncias contidas nessas plantas têm eficácia equivalente aos produtos químicos atualmente comercializados.

  

Insetsidas 

  

Vantagens

Coordenador da pesquisa, o professor Ionizete Garcia da Silva, afirma que a grande diferença entre os inseticidas desenvolvidos no IPTSP e os que se encontram no mercado está no impacto ambiental. Ele explica que os produtos químicos permanecem por muito tempo na natureza – até 30 anos, dependendo da classe química –, além de, comprovadamente, representarem risco à saúde de quem os aplica. “Quem trabalha no controle de insetos busca o produto com extenso efeito residual, que são aqueles que permanecem tóxicos por mais tempo sem degradar”, afirma o professor. Os inseticidas botânicos, por outro lado, não atacam o meio ambiente, pois são biodegradáveis e não intoxicam.

 

Outro ponto favorável do inseticida natural é que, para sua produção, não há retirada de matéria-prima do bioma em que estão inseridas as plantas, já que são utilizados subprodutos descartados pela indústria. No caso do caju, a matéria-prima para os inseticidas é o óleo residual, proveniente do processo de extração da castanha do fruto. Quando descartado indiscriminadamente, esse óleo se tornaria um agente poluente. Além disso, os estudos comprovaram que os inseticidas naturais são seletivos, ou seja, não agridem outros animais, e permanecem pouco tempo com letalidade.

 

Segundo professor Ionizete Garcia, inseticidas botânicos causam menor impacto ambiental

Segundo professor Ionizete Garcia, inseticidas botânicos causam menor impacto ambiental

  

“Há um hiato enorme entre pesquisa e produção”

A pesquisa começou no final da década de 80, quando surgiram os primeiros casos de dengue no Brasil. Apesar dos resultados positivos, Ionizete Garcia explica que ainda há pouco interesse de indústrias ou governos em financiar a produção em larga escala dos inseticidas botânicos. “Há um hiato enorme entre pesquisa e produção. O papel da pesquisa é abrir caminhos. A universidade não tem condições de ser indústria”, lamenta.

 

O pesquisador explica que, para viabilizar o uso dos inseticidas em campo, é preciso sintetizar as substâncias. Para os testes é possível utilizar os laboratórios do IPTSP, mas, segundo Ionizete Garcia, fazer essa síntese em larga escala demanda estrutura e custa caro.

 

De acordo com o professor, as prefeituras recebem de órgãos superiores produtos e medidas, que significam apenas uma das inúmeras formas de controle, e utilizam substâncias de grande poder residual, geralmente mais tóxicas porque têm a ilusão de que elas serão mais eficientes e mais econômicas. “Pensam assim e não olham para o problema maior que isso gera. É preciso haver uma mudança de cultura. E é obrigação de cada um colaborar”, conclui Ionizete Garcia.

 

Para ler o arquivo completo em PDF clique aqui

Para conferir a entrevista completa no Programa Conexões clique aqui

 

Fonte : Ascom/UFG

Categorias : pesquisa dengue Inseticidas Saúde IPTSP

Listar Todas Voltar