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Entrevista: Reitor fala do desafio de crescer em meio às incertezas do novo ano

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Publicação da Assessoria de Comunicação da Universidade Federal de Goiás 
ANO XI – Nº 70 – Março – 2015

Reitor fala do desafio de crescer em meio às incertezas do novo ano

Texto: Kharen Stecca | Foto: Laís Brito

 

Foto do Reitor Orlando Afonso Valle do Amaral

 

Em entrevista ao Jornal UFG, o reitor Orlando Afonso Valle do Amaral avalia o primeiro ano de mandato e levanta os principais desafios que terão de ser enfrentados nos próximos três anos. Da segurança ao corte de despesas no orçamento, muitas serão as limitações em 2015. Mas também já é possível avaliar diversas ações positivas do primeiro ano de mandato como a implantação do novo Estatuto da UFG e a adesão integral ao SiSU. Confira.

Como o senhor avalia o primeiro ano como reitor da UFG?

Em 2014, primeiro ano de nossa gestão, realizamos, com a efetiva participação da comunidade universitária, importantes ações. Os desafios para qualquer equipe que esteja à frente de uma instituição da complexidade e relevância da UFG são sempre muito grandes e exigem o melhor de cada um de nós em termos de capacidade de gestão, abertura para o diálogo, dedicação e compromisso. Trabalhando em sintonia com o vice-reitor, professor Manoel Chaves, com os novos pró-reitores, e toda equipe à frente dos demais órgãos administrativos da UFG vinculados à Reitoria, procuramos honrar os compromissos assumidos com a comunidade universitária. Entre os maiores desafios estiveram a discussão, aprovação e implantação do novo Estatuto e a discussão do novo Regimento da UFG, que ainda está em curso. Essas mudanças implicam em uma reestruturação da universidade, de forma a abarcar a consolidação de seu perfil multicâmpus. Essa implantação acena com grandes possibilidades, sobretudo para as regionais do interior, que terão mais autonomia e maior representatividade nas instâncias colegiadas da universidade.

Demos início em 2014 às atividades acadêmicas no novo câmpus da UFG, em Aparecida de Goiânia, com o início das atividades do curso de Engenharia de Produção e a abertura de vagas para os cursos de Engenharia de Transportes e de Geologia, a serem iniciados em 2015. Estamos funcionando provisoriamente nas instalações da Universidade Estadual de Goiás, uma vez que estamos somente agora finalizando o processo de licitação da primeira obra naquele câmpus. Iniciaremos, possivelmente em 2016, as atividades da regional da UFG em Cidade Ocidental, no entorno de Brasília, com a abertura de novos cursos e o início da construção de um prédio para abrigar salas de aulas e laboratórios, em área de 500.000 m2 já doada à UFG. Demos início às atividades do curso de Medicina em Jataí, com o oferecimento de 30 vagas em 2014 e ampliação para 60 vagas a partir de 2015. Recebemos a autorização do Ministério da Educação para iniciar, em 2016, as atividades do curso de Medicina em Catalão, com 50 vagas.

No contexto do programa de fortalecimento das ações de inclusão na UFG, foi criada pelo Consuni a Coordenação de Ações Afirmativas (CAAF) e aprovada, por unanimidade, uma resolução que assegura a servidores, estudantes e usuários da UFG, cujo nome de registro civil não reflita a sua identidade de gênero, a possibilidade de uso e de inclusão do seu nome social nos registros acadêmicos. A criação da CAAF, discutida com vários grupos organizados na UFG ainda durante nossa campanha como candidatos à Reitoria da UFG, veio como resposta às importantes demandas da nossa comunidade, que foram e serão amplificadas em função da Lei de Cotas e dos programas de inclusão adotados pela UFG.

Em 2014 também houve a adesão integral ao SiSU. Já é possível avaliar essa mudança?

Embora sejamos muito otimistas em relação a essa decisão, não possuímos ainda dados objetivos para realizar uma avaliação mais criteriosa. Ressalte-se, no entanto, o expressivo número de candidatos que escolheu, em primeira e segunda opção, a UFG como a universidade na qual gostariam de se matricular. Foram mais de 70 mil inscritos em 1ª opção e mais de 70 mil em 2ª opção. Nas estatísticas do MEC, isso nos coloca como a 6a universidade mais procurada no Brasil, à frente de várias universidades que são, inclusive, maiores que a nossa. Esse dado é um claro indicador do prestígio da UFG em Goiás e no Brasil. Com a conclusão do processo de matrículas teremos condições de aprofundar a análise e avaliar com mais dados a decisão de adesão integral ao SISU.

2015 começou em todo o país como um ano de instabilidade. Diante disso, já há uma perspectiva de como ficarão as obras e projetos em andamento?

Pelas declarações do governo, 2015, e talvez 2016, serão anos de ajustes, sobretudo na área econômica. A arrecadação não foi a esperada no ano anterior e a economia ainda não deu sinais claros de recuperação. A nova equipe econômica do governo anunciou um possível corte de 30% no orçamento dos ministérios e isso afeta também o Ministério da Educação. Se esse corte se concretizar, ele trará graves dificuldades para a universidade. Esse cenário implicará na adoção de medidas de contenção de despesas e de otimização na aplicação dos recursos orçamentários. É preciso que a comunidade como um todo esteja consciente dessa situação, circunstancial e passageira em minha avaliação, e nos ajude a encontrar caminhos que nos permitam realizar os necessários ajustes, sem com isso comprometer o que é essencial para o desenvolvimento das atividades acadêmicas. Mesmo com as preocupações que temos como gestores e como cidadãos, continuamos muito otimistas em relação ao futuro da UFG, do sistema de universidades federais e do país como um todo. Vale lembrar que, em seu discurso de posse, a Presidente Dilma Roussef, explicitou o lema do seu segundo mandato, como sendo: Brasil, pátria educadora. Se é esse o lema, o Governo vai perseguir a meta de investir para que o país, de fato, tenha a educação que precisa e merece ter. E o papel das universidades é fundamental nesse processo.

Janeiro começou com o tema da segurança no câmpus, que ganhou grande repercussão na imprensa. Como a UFG está enfrentando essa questão e como a comunidade pode participar na busca de soluções?

Nossa postura é de enfrentar essa discussão com muita tranquilidade, com a participação de toda a comunidade. A UFG faz parte de um contexto social não sendo, portanto, uma ilha. Em Goiânia as estatísticas de criminalidade apontam para um acirramento da situação de violência. Desde o ano passado, estamos debatendo a segurança dentro da Universidade, com membros da equipe, especialistas e pesquisadores, para entendermos melhor a situação e pensarmos, coletivamente, em uma política institucional. Os câmpus da UFG são espaços abertos, no interior dos quais circulam milhares de estudantes, professores e técnico-administrativos bem como um grande número de pessoas da comunidade externa, que procuram diversos serviços e atividades oferecidas pela UFG (bancos, correios, shows, etc). Nosso desafio é preservar essa salutar característica da instituição e, ao mesmo tempo, garantir a segurança de todos que aqui estão. Para fazer isso, temos de combinar uma série de ações, de forma a tornar nosso ambiente mais saudável e mais seguro. A melhoria da iluminação e o monitoramento por meio de câmeras, fazem parte do leque de ações já adotadas. A maioria dos prédios já conta com equipamentos de vigilância eletrônica, em auxílio ao trabalhos do pessoal da nossa segurança. Nós estamos debatendo esse tema no Conselho Universitário e tomaremos uma série de outras iniciativas, de forma a envolver a comunidade na discussão. Contaremos, naturalmente, com a participação das entidades representativas dos três segmentos da comunidade, Sint-ifesgo, Adufg e DCE, porque essa não deve ser uma preocupação da gestão apenas, mas da comunidade como um todo.

O ano de 2014 foi finalizado com a aprovação da Ebserh, na UFG. Além da correção dos problemas com contratação de pessoal, já é possível prever outras mudanças no HC?

Iniciamos o processo de discussão alguns anos atrás, e finalizamos em dezembro do ano passado, com a aprovação pelo Conselho Universitário da adesão da Universidade à Ebserh. No dia 29 de dezembro, assinamos o contrato entre a Universidade e a Ebserh para gestão compartilhada do hospital. Agora há uma série de passos a serem seguidos. O primeiro deles foi a designação, assinada por mim, do atual diretor do Hospital das Clínicas, professor José Garcia, como seu Superintendente. O evento mais significativo da próxima etapa será a realização de concurso público para contratação de 525 profissionais pela Ebserh. Com isso, a universidade terá um quadro mais completo para, inclusive, reativar alguns leitos desativados anteriormente por carência de pessoal. Assim, teremos um atendimento melhor à população que procura o Hospital das Clínicas. A contratação desse quantitativo de pessoal pela Ebserh, desonerará as despesas de pessoal do hospital. Com isso ele poderá, a médio prazo, direcionar os recursos recebidos pela prestação de serviços ao SUS, para o seu adequado funcionamento e um melhor atendimento à população.

Com relação ao Bosque Auguste Saint-Hilaire, área que mais tem sido afetada com relação ao consumo e tráfico de drogas, há ações específicas que estão sendo tomadas?

Temos vários bosques no interior da Universidade, importantíssimos não apenas para a UFG mas também para a cidade de Goiânia. Esses bosques, em seu conjunto, se constituem na mais importante reserva natural no perímetro urbano de Goiânia. É uma área de preservação que cumpre um relevante papel como campo de estudos e pesquisas. As áreas internas desses bosques, sobretudo do bosque Saint Hilaire, tem se deteriorado pelo acesso irrestrito de pessoas que, ao utilizar esses espaços com outros objetivos que não os de estudos e pesquisa, poluem, degradam e colocam em risco o ambiente. A nossa intenção é controlar o acesso a essas áreas, de forma a preservar a integridade, a fauna e a flora desses ambientes. Vamos consultar os pesquisadores das áreas de Ciências Biológicas, Engenharia Ambiental e Agronomia para definir um modelo de gestão desses ambientes que garantam a integridade dos mesmos bem como a possibilidade de organização visitas orientadas a esses espaços.

Também está sendo preparada uma intervenção paisagística na área próxima às faculdades?

Estamos com projeto de urbanização da área entre os institutos de Física, Química e a Faculdade de Informação e Comunicação e o bosque Saint-Hilaire, em fase final de elaboração. Essa área ficou durante algum tempo sem receber um tratamento urbanístico mais adequado, em função de intervenções físicas ainda em andamento nos prédios dos Institutos de Física e de Química. A urbanização dessa área é prioritária para a gestão e é também uma reivindicação antiga da comunidade universitária. Queremos recuperar esse espaço, tornando-o mais agradável, iluminado e seguro para as pessoas que se encantam com a beleza do nosso bosque e reconhecem nele um patrimônio inestimável da UFG, que não pode ser colocado em risco por pessoas que não possuem essa mesma compreensão.

A Andifes elaborou um Plano de Desenvolvimento das Universidades que foi apresentado ao Ministério da Educação no início deste ano. Qual o objetivo desse plano?

A Andifes elaborou no ano passado e entregou a Presidente Dilma, antes das eleições, um documento para subsidiar a definição de suas políticas, na sua plataforma para educação superior em um mandato futuro. Fizemos a entrega desse documento também ao novo Ministro da Educação, Cid Gomes. O que se propõe é que o Governo continue com seu processo de fortalecimento das universidades federais, para que tenham a possibilidade de apresentar, cada uma individualmente, dentro das suas vocações regionais, o seu plano de expansão nos moldes do que foi feito no Reuni. A agenda para o desenvolvimento das universidades federais está baseada em 6 dimensões: 1) Desenvolvimento nacional; 2) Desenvolvimento regional; 3) Inovação tecnológica; e 4) Internacionalização. Os projetos de investimento nas Universidades, com foco em redes físicas ou em recursos humanos, devem estar relacionados a essas prioridades e, ainda, necessariamente contemplar as seguintes dimensões transversais: 5) Formação de Professores; e 6) Educação a Distância. A intenção é demarcar com esse Plano a necessidade de se continuar com o processo de expansão e consolidação das universidades federais, mesmo porque para atender as ambiciosas metas do PNE, será imprescindível dar continuidade à expansão e qualificação das universidades federais.

Outra pauta da Andifes é um plano de racionalização da energia nas instituições universitárias. Como as universidades poderiam entrar nesse processo de buscar novas alternativas para o uso da energia?

Solicitamos uma audiência com o Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, com o intuito de debater possibilidades de cooperação entre o Ministério e as Universidades, no tocante a utilização de formas alternativas de energia bem como o seu uso racional. O fato é que o item energia elétrica é um dos itens que mais onera o custeio nas universidades, alcançando, em média, um percentual da ordem de 14% do orçamento de custeio das universidades. A energia elétrica é cara e o seu consumo nas universidades é muito alto. Os campus universitários ocupam áreas muito extensas, com muitas edificações, que precisam ser adequadamente iluminadas. Um grande número de laboratórios e outras instalações das universidades, abrigam equipamentos que fazem uso intensivo e ininterrupto de energia. Então é interesse nosso, e do país, fazer um uso mais eficiente da energia. Uma questão básica nessa discussão diz respeito às nossas instalações elétricas, via de regra antigas e ineficientes do ponto de vista da utilização da energia. Há uma série de medidas que devem ser tomadas, que podem mesmo com as instalações atuais, significar uma redução no consumo e no impacto do gasto com energia no orçamento das universidades. Além da questão da modernização de estruturas e equipamentos, existe a questão da educação para o consumo racional da energia pelos usuários. Medidas simples como, por exemplo, não deixar a luz acesa desnecessariamente, não deixar aparelho de ar condicionado - o vilão atual do consumo – ligado desnecessariamente, podem nos auxiliar a conviver com o alto custo da energia e eventualmente, com a escassez em sua oferta. Na audiência com o Ministro Eduardo Braga debatemos a possibilidade de sermos apoiados via Ministério ou via companhias distribuidoras de energia, a Celg no nosso caso, no sentido de desenvolvermos planos, projetos pilotos para modernização de nossas instalações elétricas e a utilização de formas alternativas de energia: células fotovoltaicas, energia eólica, biomassa, entre outros. O Ministro se mostrou muito receptivo à idéia e sinalizou com a possibilidade da assinatura de um Termo de Cooperação para viabilizar esse tipo de iniciativa.

Fonte : Ascom UFG

Categorias : entrevista Reitor

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