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Pesquisa aponta variações climáticas significativas em Goiânia

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Publicação da Assessoria de Comunicação da Universidade Federal de Goiás 
ANO VII – Nº 54 – NOVEMBRO/DEZEMBRO – 2012

 

Pesquisa aponta variações climáticas significativas em Goiânia

Nos últimos 48 anos, tendência foi de antecipação do período seco e de elevação da temperatura, diz especialista

Texto: Layane Palhares | Foto: Carlos Siqueira


Os goianienses sofreram nos últimos dois meses com a falta de chuva e com o calor insuportável, que beirava os 40 ºC. Foram longos dias marcados por temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar e concentração de poluentes na atmosfera percebida pela névoa seca que cobria a cidade.


Segundo o coordenador da Estação Evaporimétrica da Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos da UFG, professor Engler José Lobato, os primeiros sinais de chuva neste ano só apareceram no dia 14 de setembro, após 58 dias de estiagem. Com o inicio da estação chuvosa. Goiânia já registrou uma média de 150 milímetros de chuva, quantidade acima da esperada para a média do mês de novembro.


Na maior parte da região central do Brasil, durante o trimestre de setembro, outubro e novembro, as temperaturas máximas atingem valores elevados provocados pela forte radiação solar e há uma maior frequência de dias com céu claro. Podem ainda ocorrer incursões de massas de ar frio intensas, provocando o declínio da temperatura. Com base em pesquisas do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), é certo dizer que o Brasil é um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas globais, pois apresenta grande extensão territorial, o que dificulta, segundo os especialistas do instituto, análises de impacto e a implantação de políticas públicas de redução dos problemas ambientais e sociais.


Para entender os fatores por trás das condições climáticas, a professora de Climatologia do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da UFG, Gislaine Cristina Luiz, estudou as varições de temperatura e de umidade relativa do ar em Goiânia, com base em dados meteorológicos que abrangem um período de 48 anos, entre 1961 e 2008.  A pesquisa apontou variações significativas no comportamento da temperatura e da umidade relativa do ar, com tendências de aumento para as temperaturas máxima e mínima, e de diminuição para a umidade relativa. Segundo os resultados da pesquisa, a localização de Goiânia, o ângulo solar incidente em nossa região, a ocupação urbana e a baixa velocidade dos ventos, são fatores que justificam as tendências encontradas.


Gislaine Luiz afirmou que o clima de Goiânia é resultante da atuação de uma dinâmica atmosférica específica. “Durante os períodos de outono, inverno e início da primavera, Goiânia está sob influência da massa de ar Tropical Atlântica. Esse sistema atmosférico é responsável pela estabilidade do ar, dias ensolarados e ausência de precipitações em nossa cidade. Isso implica considerar que há em Goiânia condições naturais para que as temperaturas atinjam valores elevados, associados a baixos índices de umidade relativa do ar, especialmente no inverno e início da primavera. Por outro lado, esse sistema atmosférico impede a dispersão dos poluentes, o que resulta em sua concentração na camada de ar mais próxima à superfície, influenciando no aumento dos valores da temperatura do ar”, disse ela.


A interferência humana na natureza também é outro fator que modifica as condições climáticas de Goiânia. Conforme a professora, as tendências observadas para os últimos 48 anos estão vinculadas principalmente à estruturação da cidade, cujos aspectos, que incluem a destituição da cobertura vegetal, expansão da cidade, verticalização dos prédios, impermeabilização das superfícies, tráfego de veículos automotores, entre outros, interferem na condição climática, resultando no aumento das temperaturas e diminuição da umidade relativa do ar.


O aumento da temperatura foi observado para o período do outono, inverno e primavera, com a temperatura máxima no inverno sofrendo aumento em torno de 2 ºC . Já para os valores da temperatura mínima, o aumento foi observado em todas as estações do ano, mas principalmente no outono e inverno, quando os índices indicam elevação de 2 ºC e 2,4 ºC, respectivamente. Na primavera e no verão, a tendência apontou aumento de 1,2 ºC e 0,8 ºC. Por outro lado, a variação da umidade relativa do ar para os últimos 48 anos apontou tendência negativa, com redução nos índices nos anos de 1961 a 2008.


Os resultados indicados na pesquisa apontam para tendência de diminuição da amplitude térmica, o que favorece a elevação das temperaturas ao longo do dia e à noite, situação vivenciada pelos goianienses no final do mês de agosto e início de setembro. Para amenizar as condições criadas pelo período de estiagem, passa-se a depender do retorno das chuvas. Mas, segundo a professora, a  tendência em Goiânia é de que o período chuvoso diminua e o volume de água não ultrapasse  40 milímetros por dia durante a primavera. Dessa forma, é possível considerar que há forte propensão para a antecipação do período seco no outono e seu prolongamento na primavera, acompanhado de temperaturas elevadas, conforme a pesquisadora.


No tocante ao papel desempenhado pela cobertura vegetal na melhoria das condições climáticas,  a pesquisa indica que temperaturas com menores índices de elevação estão especialmente associadas  às superfícies cobertas com vegetação natural, enquanto as áreas urbanas, as de solo exposto, ou as destinadas à agricultura e pastagem, tendem a apresentar índices mais elevados. “A situação indicada pela pesquisa aponta para a importância de uma política de manutenção da cobertura vegetal e de reflorestamento em diferentes áreas de Goiânia, de forma a melhorar a qualidade da umidade relativa do ar e manter a temperatura em níveis equilibrados nos períodos mais críticos do ano,  que são o final do inverno e o início da primavera”, explicou Gislaine Cristina Luiz.

Goiânia

Categorias : Meio Ambiente Goiânia Clima Mudanças Climáticas

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