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A polêmica em torno do novo conceito - entrevista com Hans-Thies Lehman

Por Renato Joseph

Confira mais trechos da entrevista com o teórico da estética teatral e do teatro contemporâneo, o alemão Hans-Thies Lehman, criador do conceito de teatro “pós-dramático”.

Lehmann é professor de Estudos Teatrais da Universidade de Johann Wolfgang Goethe, em Frankfurt, Alemanha, e membro da Academia Alemã de Artes Cênicas. Autor dos livros Escrita política no texto teatral e Teatro pós dramático, Lehmann veio ao Brasil pela segunda vez para ministrar uma série de palestras em universidades federais brasileiras. Em Goiânia, ele participou do projeto Universidade em Cena, promovido pela Escola de Música e Artes Cênicas da UFG (Emac), em comemoração aos 50 anos da instituição. Lehmann recebeu o Jornal UFG para falar da polêmica em torno de seu trabalho, da importância do teatro como agente político e social e dos novos rumos das artes cênicas.

O teatro pós-dramático é uma despedida definitiva da forma dramática tradicional ou ainda se apropria dela em algum momento?

 

Essa questão é muito importante porque, na maioria das vezes, é um assunto mal interpretado na recepção do livro que eu escrevi sobre o conceito de teatro pós-dramático. A palavra pós-dramático quer justamente indicar que não se trata de uma simples negação do dramático. Efetivamente existe uma vasta gama de formas teatrais pós-dramáticas nas quais se utilizam aspectos e momentos do teatro dramático. Eu considero útil e importante utilizar e tentar compreender essas formas teatrais tradicionais por meio da noção do pós-dramático, porque ainda existe uma tendência muito forte de críticos contemporâneos de desvalorizar novas maneiras de expressão cênica que não estejam vinculadas à noção clássica do dramático.

Grande parte da crítica ao seu trabalho se deve a fato de que uma nova forma teatral se sobrepõe à outra. Como o senhor reage a essas críticas?
 

Essa tendência não é algo particular e, sim, um fenômeno que se repete em toda a história das artes cênicas. O teatro do século XVIII, por exemplo, superou o teatro retórico do século XVII, ao criar um teatro mais naturalista e a dimensão da quarta parede [parede imaginária que separa e isola público do que se passa no palco, de modo que a cena acontece como se não houvesse olhares exteriores]. Naturalmente, se encontra sempre na contemporaneidade um medo e um temor de que novas formas de teatro superem e substituam formas antigas. A maior parte desse tipo de críticos que questionam essas superações e substituições, está, no fundo, interessada em rever as formas teatrais que gostavam de assistir quando jovens ou quando crianças.

Com a perda do texto e a junção de diversas linguagens artísticas, qual o papel do ator no teatro pós-dramático?
 

Essa questão merece ser destacada. O que o ator aprendeu anteriormente, no drama clássico, não é um assunto esquecido, ele continua relevante. O teatro pós-dramático continua reconhecendo a necessidade de se desempenhar os papéis. O que ocorre é que o ator do teatro pós-dramático precisa ter um espectro maior de capacidades. Eu acredito que ator de hoje precisa ser uma espécie de co-autor do trabalho que realiza. Os atores necessitam ter um conhecimento complexo da arte da qual participam.

Fonte : ASCOM/UFG

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