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Conhecer os indícios é uma forma de prevenção

Equipe vinculada à Faculdade de Medicina da UFG desenvolve Programa de Estudos e Prevenção do Suicídio e Atendimento a Pacientes com Tentativas de Suicídio

 

Nos últimos 45 anos, a mortalidade global por suicídio vem migrando em participação percentual do grupo dos mais idosos para o de indivíduos mais jovens, na faixa etária entre 15 e 45 anos. Desemprego, problemas escolares, comunicação pouco frequente e insatisfatória com a família, sensação de desesperança são fatores que explicam esse novo cenário.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) o número de mortes por suicídio, em 2003, foi em torno de 900 mil pessoas. E, para cada caso, há em média cinco ou seis pessoas próximas que sofrem com consequências emocionais, sociais e econômicas. As estatísticas ainda informam que o Brasil encontra-se no grupo de países com taxas baixas de suicídio. No entanto, por ser um país populoso, está entre os dez primeiros países, em números absolutos de suicídio.

No intuito de chamar a atenção para a gravidade do problema escolheu-se 10 de setembro, como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Considerado um problema de saúde pública, a dimensão de sua gravidade pode ser ainda maior. Os estudos indicam que os registros oficiais sobre tentativas de suicídio são mais escassos e menos confiáveis do que os dados dos casos consumados. Segundo a OMS, estima-se que o número de tentativas supere o número de suicídios em pelo menos dez vezes.

Como uma condição para se combater o problema é conhecê-lo, o Programa de Estudos e Prevenção do Suicídio e Atendimento a Pacientes com Tentativas de Suicídio (PATS) desenvolve ações de assistência e prevenção ao suicídio. Vinculado ao Departamento de Saúde Mental e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da UFG (DSMML) e coordenado pela psicóloga Célia Maria Ferreira da Silva Teixeira, o programa pretende orientar e auxiliar o paciente com comportamento suicida, assim como seus familiares, por meio de tratamentos com uma equipe interdisciplinar.

Segundo Célia Teixeira, pessoas com ideação suicida dão sinais de suas intenções, que e muitas vezes são ignorados. Frases do tipo “preferia estar morto”, “os outros vão ser mais felizes sem mim” ou “sou um perdedor e um peso para os outros” podem ser indícios. De acordo com a psicóloga, as pessoas com esses pensamentos são carregadas de sentimentos ambivalentes, ou seja, não necessariamente desejam morrer, mas, sim, livrar-se de uma situação considerada insuportável.
 
 
Mitos

Diversos mitos cercam casos de tentativa de suicídio e muitas vezes levam à negligência perante situações que resultam em fatalidades possivelmente evitadas. Segundo os especialistas, um deles é o mito de que pessoas que realmente querem se matar não avisam de sua intenção. A verdade é que a maioria das pessoas que se mataram deu sinais de sua intenção. Segundo os dados, 80% avisam a intenção. Outro mito é que a melhora após a crise significa que o risco de suicídio acabou. Na verdade, muitos suicídios ocorrem na fase de melhora, quando a pessoa tem energia e vontade de transformar pensamentos autodestrutivos em ação. Segundo a psiquiatra e professora da Faculdade de Medicina Maria Amélia Dias Pereira são diversos casos de suicídio que acontecem após uma melhora de um quadro depressivo.
 
 
O que fazer

Para os especialistas, um dos grandes problemas é ignorar o pedido de ajuda. Segundo o médico residente em Psiquiatria no Hospital das Clínicas, Thiago Cezar da Fonseca, o suicídio é a consequencia de um pedido de socorro que não foi ouvido a tempo. A recomendação é que o indivíduo seja tratado com atenção e receba acompanhamento de um profissional. Além disso, a recomendação é que a família acompanhe de perto o tratamento do paciente. “A família precisa ser envolvida para discutir sinais de alerta específicos do paciente, além de reduzir o isolamento”, afirmou Thiago Cezar. Ele acrescentou que, quanto mais ajuda receber o paciente, maiores serão as chances de se evitar, o suicídio que pode e deve ser prevenido.
 
 
Fatores de risco

Há diversos fatores de risco para o suicídio, segundo os especialistas. Entre eles estão os transtornos mentais, fatores sociodemográficos, psicológicos e condições clínicas incapacitantes. Os dados revelam que histórico de suicídio na família e presença de algum transtorno mental são os principais fatores capazes de desencadear o suicídio. No caso da depressão, segundo dados mundiais, 15% dos casos mais graves terminam em suicídio. No entanto, de acordo com a psiquiatra Maria Amélia Pereira, os dados mostram que pessoas com quadros depressivos recorrentes têm a probabilidade reduzida de suicidar-se. Segundo ela, isso se justifica porque pessoas que vivenciam a situação com frequencia e buscam tratamento, sabem que o sofrimento vai passar.
 

 

Fonte : ASCOM/UFG

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