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O turismo rural de Goiás e seus contextos imaginários

Pesquisa utiliza o imaginário social para conhecer o turismo rural goiano

 

 
No curso da pesquisa, a professora visitou, na região metropolitana de Goiânia, alguns estabelecimentos que oferecem essa modalidade de turismo, em franco processo de expansão em Goiás, e entrevistou seus visitantes. Para compreender as significações de rural manifestadas pelos turistas, fez uma incursão no imaginário social deste estado, cuja sociedade, ao longo de todo o século XIX e até bem recentemente, revestia-se de caráter notadamente rural. Nesta edição do Jornal UFG On-line, você pode conhecer um pouco do que a professora Maria Francisca Nogueira elucidou do imaginário rural do turista goiano. Sua pesquisa possibilita uma visita ao imaginário da sociedade rural goiana tradicional, presente no turismo rural.
 
Para revisitar o social histórico, a professora adotou a perspectiva de imaginário social de Cornelius Castoriadis. Esse enfoque ajudou a mostrar que as imagens de que está impregnada a sociedade goiana tradicional conferem ao estado um status ainda rural. Assim, a professora destacou “que o turista vai alterando sua imagem de campo por meio de símbolos e representações que são parte do seu social histórico”. A fim de fugir de qualquer mecanicismo ao abordar o turismo, um tema multidimensional e transversal, a professora recorreu também à teoria da complexidade de Edgar Morin, que lhe possibilitou acessar o imaginário rural do turista por meio dos estados poético e estético a que ele se refere. “Para Morin, a contemplação da natureza como ‘paisagem bonita’ pode ser encontrada na relação imaginária estética. E essa forma de contemplação foi expressa pela maioria dos entrevistados”, explicou Maria Francisca Nogueira. As abordagens de Castoriadis e de Edgar Morin foram fundamentais para a compreensão de que a dimensão imaginária “permeia cada contorno, informa cada elemento, inspira cada movimento do processo turístico”, destacou a professora.
 
Para apreender as imagens e significações imaginárias do rural presentes na sociedade goiana tradicional, a professora buscou elementos em autores representativos da história e da literatura de Goiás, como Luis Palacín, Paulo Bertran e Hugo de Carvalho Ramos. “Verifiquei que a sociedade goiana, como mundo de significações, está impregnada de valores e traços rurais que acenam para a vocação de Goiás para o turismo rural”, afirmou Maria Francisca Nogueira. O conceito de sertão da decadência e do atraso que perpassa a reconstituição feita por Luis Palacín do passado dessa sociedade difere do sertão de abastança e de paraíso caboclo que se encontra em Paulo Bertran. Já sob a visão artística de Hugo de Carvalho Ramos, na obra Tropas e boiadas, surge um sertão poético, de horror e beleza, sertão ao mesmo tempo dramático e belo.
 
A partir dessas significações do rural tradicional, a professora traça, em sua tese, o novo imaginário em construção em Goiás. Na exposição das conclusões de sua pesquisa, ela procurou delinear alguns momentos, remissões e deslocamentos no processo de superação de uma cultura rural e sua transformação em rural-urbana, apontando para o quadro dos novos tempos de Goiás. Desde a Revolução de 1930, o estado vem conhecendo um rápido processo de mudança, que se acelera cada vez mais. Goiânia, à medida que cresce e se transforma, impõe uma nova temporalidade e novos padrões de necessidades sociais. Trata-se de uma capital que se moderniza e inspira a inovação do imaginário do estado inteiro. “Percebe-se que há, em Goiás, cada vez mais coexistência do caráter urbano com o rural. Ocorre, assim, um processo de redefinição do rural, que começa a valorizar afazeres antes sem prestígio no campo, como o turismo”, completou a professora Maria Francisca Nogueira.

Veja aqui o conteúdo impresso do Jornal UFG.

 

Fonte : AscomUFG

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