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Artigo

A matemática está onde menos esperamos

Diretor do Instituto de Matemática e Estatística da UFG escreve sobre tema do Conpeex

Artigo

Mauricio Pieterzack*

A matemática surgiu como parte da vida cotidiana do homem, para quantificar, relacionar coisas ou objetos e fazer medições de terras (como ocorria no Egito após cada inundação do rio Nilo). Há mais de 3.800 anos, matemáticos babilônicos desenvolveram uma trigonometria que podia ser usada para realizar cálculos arquitetônicos na construção de palácios, templos, canais e pirâmides, por exemplo. Os gregos, supostamente em grande parte pelas mãos de Tales de Mileto e Pitágoras de Samos, receberam esses conhecimentos. Os matemáticos gregos aprenderam essa matemática, a desenvolveram e foram os responsáveis pela sua formalização, enunciando e provando teoremas, além de utilizar a matemática para a resolução de problemas práticos, como os já mencionados.

Atribui-se a Pitágoras a criação das palavras “filosofia” (ou “amor à sabedoria”) e “matemática” (ou “o que é aprendido”) para descrever as suas atividades. Na Grécia antiga viveu o maior matemático da antiguidade, Arquimedes. Durante o cerco dos romanos à Siracusa, Arquimedes inventou engenhosas máquinas de guerra para manter os inimigos à distância (catapultas para lançar pedras; cordas, polias e ganchos para levantar e espatifar os navios; lentes parabólicas para queimá-los, sempre utilizando conhecimentos matemáticos). Arquimedes também inventou um engenho, conhecido como parafuso de Arquimedes, que permitia levar água de regiões baixas para regiões mais altas.

Atualmente os matemáticos desempenham atividade intelectual altamente sofisticada, embora  com aplicação na vida prática, de uma matemática que não é acessível ao grande público. Matemáticos foram fundamentais para a invenção e o desenvolvimento do computador e do telefone celular, bem como para a instalação das redes de comunicação e da administração de fluxo de comunicações que envolvem problemas matemáticos de relevância.

A organização de dados sobre o fluxo de veículos em milhares de cruzamentos nas grandes cidades, determinando o menor tempo para abrir e fechar semáforos depende da matemática, sem contar que ela também foi importante para criar os automóveis, trens e aviões. A matemática também está presente no estudo do clima, na otimização da irrigação das plantações e na adaptação da topografia dos terrenos, contribuindo para o desenvolvimento de novas espécies, a criação de tecnologias em equipamentos como colheitadeiras, além da fabricação de remédios e fertilizantes.

O processamento de imagens e a comunicação de dados são tecnologias dependentes da matemática. Além disso, a matemática está relacionada com a segurança nas transações bancárias, com o uso de senha e compras pela internet, que utilizam códigos corretores de erros em sistemas criptográficos. Também na medicina vemos sua importância: no estudo do comportamento das endemias; na concepção de novos medicamentos; nas técnicas de diagnóstico por imagem, como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética; sem contar suas inúmeras aplicações na bioquímica e nas ciências biológicas de forma geral.

O desenvolvimento da matemática traz benefícios a toda a sociedade. Segundo Napoleão Bonaparte, “o progresso e aperfeiçoamento da matemática estão intimamente ligados com a prosperidade do Estado”. Quanto à sua aplicabilidade, são marcantes as palavras do matemático russo Nikolai Lobachevsky: “Não há ramo da matemática, por mais abstrato que seja, que não possa um dia vir a ser aplicado aos fenômenos do mundo real”. Em 2018, o Brasil sediará o Congresso Internacional de Matemáticos, coroando o Biênio da Matemática no Brasil.

* Maurício Pieterzack é Diretor do Instituto de Matemática e Estatística da UFG

Fonte : Ascom UFG

Categorias : Artigo edição 91

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